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15/Apr/2026

Preços do algodão firmes e comercialização lenta

Enquanto a comercialização de algodão em pluma no mercado doméstico segue pontual, o desempenho das exportações brasileiras continua robusto, com novo recorde mensal e avanço expressivo no acumulado de 12 meses. A retomada dos embarques para a China tem sido determinante para esse cenário, em meio a oscilações de preços no mercado interno e movimentos distintos entre a paridade de exportação e as cotações domésticas. Em março, o Brasil exportou 347,8 mil toneladas de algodão, volume 28,6% superior ao de fevereiro/26 e 45,4% maior que o de março/25. Trata-se do maior embarque já registrado para meses de março e o mais elevado desde dezembro/25 (452,5 mil toneladas). No acumulado de 12 meses, as exportações somam 3,032 milhões de toneladas, superando inclusive o total embarcado em todo o ano de 2025 (3,026 milhões). Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Após seis meses consecutivos em que os preços domésticos ficaram abaixo dos de exportação, esse quadro se inverteu em março.

A média da pluma exportada foi de R$ 3,61 por libra-peso (Secex), 1,2% inferior à média do mercado interno (R$ 3,65 por libra-peso). Em dólar, a pluma exportada foi negociada a 69,13 centavos de dólar por libra-peso, com leve queda de 0,2% frente a fevereiro e recuo de 8,1% em relação a março/25, além de ficar 0,8% abaixo do Indicador CEPEA/ESALQ à vista (69,72 centavos de dólar por libra-peso). No mercado spot nacional, os preços oscilam, mas seguem firmes. Momentos de baixa estão associados à demanda enfraquecida e à tentativa de compradores de adquirir lotes a preços menores, especialmente diante de dificuldades na comercialização de manufaturados. Por outro lado, a resistência de vendedores, sobretudo para lotes de melhor qualidade, e a necessidade de recomposição de estoques por parte de algumas indústrias sustentaram as cotações. Além disso, agentes seguem atentos ao comportamento dos preços internacionais.

O Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, registra avanço de 0,2% nos últimos sete dias, cotado a R$ 3,92 por libra-peso. Na parcial de abril, a alta é de apenas 0,15%. No mesmo intervalo, a cotação doméstica ficou, em média, 7,8% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,65 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,66 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook, referente à pluma posta no Extremo Orienta. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros registram valorização, impulsionados por preocupações com o clima seco nas regiões produtoras dos Estados Unidos, pela alta do petróleo e pela desvalorização do dólar frente a outras moedas. O contrato Maio/26 registra alta de 3,99% nos últimos sete dias; o Julho/26 tem avanço 3,78%; o Outubro/26 apresenta alta de 3,1%; e o Dezembro/26 registra valorização de 2,72%.

Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam reajuste positivo de 1,39% na área cultivada frente ao mês anterior, embora ainda 2,1% inferior à da safra passada, totalizando 2,042 milhões de hectares. A produtividade média foi estimada em 1.883 Kg por hectare, com leves recuos de 0,12% no mês e de 3,8% no comparativo anual. Assim, a produção brasileira deve alcançar 3,843 milhões de toneladas, alta de 1,27% frente ao relatório anterior, mas queda de 5,8% em relação à safra 2024/25. O destaque segue sendo a Bahia, onde houve reajuste positivo de 3,9% tanto na área quanto na produção em relação aos dados de março/26. A área deve atingir 418,1 mil hectares (+1,2% frente à safra anterior), enquanto a produção é estimada em 834,6 mil toneladas (-1,2%). A produtividade foi mantida em 1.996 Kg por hectare, 2,4% inferior à da temporada passada. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de algodão na safra 2025/26 foi estimada em 26,535 milhões de toneladas, com aumentos de 0,7% em relação ao mês anterior e de 2,1% frente ao ano anterior.

O consumo global deve atingir 25,939 milhões de toneladas, alta de 0,5% no mês, mas leve queda de 0,3% frente à safra anterior, mesmo com as recuperações das demandas na China e na Índia. Assim, o consumo tende a ficar cerca de 2,25% abaixo da oferta. As transações globais foram revisadas para baixo em 0,4%, totalizando 9,52 milhões de toneladas. Para a safra 2025/26, projeta-se crescimento de 1,7% nas importações e de 3,1% nas exportações. A China se destaca com aumento de 7,1% nas importações em relação ao relatório anterior e expectativa de compras 15,7% maiores na nova temporada. Os estoques mundiais devem alcançar 16,774 milhões de toneladas, com altas de 0,9% no mês e de 4% no ano, o que representa o maior volume desde 2019/20. O preço médio ao produtor norte-americano foi estimado em 61,00 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,67% frente ao relatório anterior, mas queda de 3,48% em relação à safra 2024/25. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.