22/Jan/2026
O mercado de algodão deve manter os preços pressionados no curto prazo, refletindo a ausência compradora no mercado interno, o ritmo mais lento das exportações em janeiro e a demanda externa ainda fraca. Os contratos futuros passam a incorporar um cenário de ajuste de área plantada e oferta mais à frente. Apesar da reação recente dos contratos na Bolsa de Nova York após seis meses consecutivos de queda, os fundamentos imediatos continuam desfavoráveis, com ampla disponibilidade global, oferta elevada no Brasil e importações chinesas em patamar reduzido. Os fundamentos globais permanecem praticamente inalterados, com o mercado bem abastecido e excedente de pluma.
No mercado doméstico, o Indicador do Algodão em Pluma do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, com pagamento em 8 dias, registra baixa de 0,69% na parcial de janeiro. Os preços do algodão até registraram pequenas variações positivas na semana passada, mas a ausência compradora influenciou a baixa acumulada. Há também o efeito da menor paridade de exportação. Com esse movimento, o Indicador está operando abaixo da paridade de exportação, com diferença de apenas 0,7%. A paridade Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 3,47 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,48 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR).
As exportações brasileiras perderam ritmo no início do ano. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam embarques de 192,26 mil toneladas em 11 dias úteis de janeiro, com média diária de 17,48 mil toneladas, volume 7,5% inferior ao registrado em janeiro de 2025. O preço médio das exportações está em 70,10 centavos de dólar por libra-peso, queda de 9,6% na comparação anual. Esse desempenho ocorre após um ano de exportações elevadas. Em 2025, o Brasil embarcou 3 milhões de toneladas de algodão, alta de 9,1% sobre 2024. Segundo o Itaú BBA, o preço médio recuou para US$ 1.628,80 por tonelada, redução de 12% em relação ao ano anterior, com faturamento de US$ 4,9 bilhões.
A relação de preços do algodão frente a milho e soja segue desfavorável para a safra 2026/2027, reforçando a expectativa de redução de área nos Estados Unidos e oferecendo suporte principalmente aos contratos de vencimento mais longo na Bolsa de Nova York. Do lado da oferta, o plantio da safra 2025/2026 avança acima da média histórica no Brasil. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 17 de janeiro, 36,3% da área nacional estava semeada, frente à média de cinco anos de 28,4%. Em Mato Grosso, principal produtor, o índice atingiu 21,8%, acima da média histórica de 16,1%.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu em 3,5% a área estimada para a safra 2025/2026, para 2,026 milhões de hectares, e ajustou a produção para 3,82 milhões de toneladas, queda de 6,3% em relação à temporada anterior. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) projeta área de 2,052 milhões de hectares e produção de 3,83 milhões de toneladas. Segundo o Itaú BBA, apesar de atrasos pontuais no plantio em algumas regiões em virtude da irregularidade das chuvas, os mapas climáticos para fevereiro e março indicam volumes adequados de precipitação, favorecendo o estabelecimento das lavouras. Ainda assim, o ajuste mais relevante para o mercado tende a ocorrer apenas no médio prazo, com a definição da área efetivamente plantada nos Estados Unidos e no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.