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21/Jan/2026

Preços do algodão recuam no Brasil e no exterior

Os preços do algodão em pluma estão em baixa nos mercados interno e externo. No Brasil, além da ampla disponibilidade, as quedas refletem a ausência compradora e a menor paridade de exportação. As baixas externas, por sua vez, são menos expressivas e estão atreladas ao estoque global elevado e à valorização do dólar frente a uma cesta de moedas. Enquanto isso, o cultivo da nova temporada segue em bom ritmo, com expectativa de redução de área e produção em 2026, devido à menor rentabilidade da cultura. Os preços do algodão até registraram pequenas variações positivas na semana passada, mas a ausência compradora verificada na segunda-feira (19/01), em especial, influenciou a baixa acumulada nos últimos sete dias.

O Indicador CEPEA/ESALQ com pagamento em 8 dias registra recuou de 1,46% nos últimos sete dias, cotado a R$ 3,46 por libra-peso, o menor valor desde a segunda semana de dezembro/2025. Na parcial do mês, a queda é de 0,69%. Com essa redução, o Indicador voltou a ficar abaixo da paridade de exportação (0,7%). A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,47 por libra-peso (64,83 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,48 por libra-peso (65,03 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os contratos apresentam leve queda nos últimos sete dias, devido ao câmbio e aos estoques elevados. No entanto, o mercado futuro projeta uma recuperação gradual dos valores ao longo de 2026.

Vale considerar que a relação de preços entre algodão e milho e soja para a safra 2026/2027 segue desfavorável à fibra, o que gera expectativas de menor área plantada nos Estados Unidos e oferece suporte aos contratos com vencimento no segundo semestre deste ano. Na Bolsa de Nova York, nos últimos sete dias, o contrato Março/2026 registra recuo de 0,39%, para 64,66 centavos de dólar por libra-peso; o Maio/2026 tem queda de 0,32%, para 66,23 centavos de dólar por libra-peso; o Julho/2026 registra recuo de 0,31%, para 67,65 centavos de dólar por libra-peso; o Outubro/2026 tem redução de 0,34%, para 68,20 centavos de dólar por libra-peso; e o contrato Dezembro/2026 acumula perda de 0,3%, para 69,06 centavos de dólar por libra-peso.

A diferença entre os fechamentos de Dezembro/2026 e de Março/2026 no dia 16 de janeiro foi de 6,8%. No Brasil, o ritmo de embarques da pluma diminuiu na última semana, e está inferior ao de janeiro/2025, em contraste com o registrado até o dia 12 deste mês. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram exportadas 192,26 mil toneladas em 11 dias úteis deste mês, com média diária de 17,48 mil toneladas. Esse ritmo é 7,5% inferior ao verificado em janeiro/2025, quando a média diária foi de 18,89 mil toneladas. O preço médio dos embarques está 70,10 centavos de dólar por libra-peso, 9,6% abaixo do de janeiro/2025. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou novos dados de oferta e demanda da safra 2025/2026 na semana passada.

Inicialmente, houve ajuste nos números de exportação de 2025, reduzindo os estoques de passagem em dezembro/2025 para 2,73 milhões de toneladas. Para a safra 2025/2026, houve redução de 3,5% na área em relação ao relatório de dezembro, para 2,026 milhões de hectares, 2,8% menor do que a da temporada anterior. A Conab ajustou a produtividade (-0,1%), para 1.884 Kg por hectare de pluma, o que resulta em estimativa de produção de 3,82 milhões de toneladas, volume 3,6% menor que o previsto em dezembro e 6,3% inferior ao da temporada passada. Ao se considerar o estoque inicial, a disponibilidade de pluma para 2026 sobe 1,1% em relação a 2025, para 6,55 milhões de toneladas. Deste total, 730 mil toneladas são previstas para consumo interno e 3,06 milhões devem ser exportadas.

Com isso, o estoque em dezembro/2026 ficaria em 2,76 milhões de toneladas, levemente maior que no ano passado. Vale destacar que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) estima 2,052 milhões de hectares cultivados, com redução de 5,5% em relação a 2025. A produtividade pode recuar 4,7%, para 1.866 Kg por hectare de pluma, gerando 3,83 milhões de toneladas, com baixa de 9,9% sobre a estimativa da associação para a temporada 2024/2025. Segundo a Conab, o cultivo da nova temporada atingiu 36,3% da área nacional até o dia 17 de janeiro, contra 39,1% no mesmo período de 2025 e 28,4% na média dos últimos cinco anos. Os trabalhos estão finalizados no Piauí; chegaram a 97% da área no Maranhão; 96% em Mato Grosso do Sul; 68% na Bahia e em Goiás; 61% em Minas Gerais e a 21,8% em Mato Grosso. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.