19/Jan/2026
O BTG Pactual estima que o setor de vestuário brasileiro deve crescer menos de 1% em termos reais em 2026 na comparação com 2025, em um ambiente marcado por consumo contido e pressão estrutural sobre margens. Apesar de o Brasil concentrar a maior cadeia têxtil totalmente integrada do Ocidente, o setor opera com baixo poder de precificação e deve acompanhar apenas o avanço modesto do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. A definição da política de tributação sobre importações e o direcionamento do apoio à indústria doméstica devem ser determinantes para o desempenho do setor. A receita industrial do vestuário em 2025 é estimada entre R$ 314 bilhões e R$ 315 bilhões, enquanto o setor de calçados adiciona cerca de R$ 85 bilhões, valores que não incluem o varejo. Cerca de 70% a 80% da produção têxtil é direcionada à confecção, o que reforça a dependência do setor do consumo discricionário.
Ainda assim, o mercado permanece pulverizado: o varejo de vestuário tem um tamanho semelhante ao da indústria, em torno de R$ 314 bilhões, mas os maiores grupos locais faturam aproximadamente R$ 15 bilhões por ano. A concorrência se intensificou de forma relevante, especialmente com a expansão de plataformas internacionais, que pressionam preços, prazos de entrega e ciclos de estoque. Muitos players locais ainda estão atrás na agenda de digitalização, sobretudo na comparação com operadores chineses, que contam com estruturas logísticas avançadas, ferramentas de precificação dinâmica e modelos mais sofisticados de previsão de demanda. Esse ambiente reduz o espaço para repasses de custos ao longo da cadeia.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), os preços do setor chegaram a recuar mesmo diante do aumento dos custos, o que comprime estruturalmente as margens. O comércio transfronteiriço aparece como o principal vetor de disrupção do setor. Em 2025, as transações cross-border somaram cerca de US$ 13,3 bilhões, concentradas principalmente em têxteis e vestuário. Após a implementação da chamada "taxa das blusinhas", o volume mensal de pacotes caiu cerca de 11%, de aproximadamente 18 milhões antes do imposto para cerca de 10 milhões em dezembro de 2024, com recuperação parcial para cerca de 15 milhões em janeiro de 2025. Apesar da retração em volumes, o valor transacionado aumentou, indicando tíquetes médios mais elevados. Empresas chinesas já operam mais de 300 mil metros quadrados em armazéns e estruturas logísticas no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.