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14/Jan/2026

Preços do algodão estáveis com a baixa liquidez

Enquanto o mercado interno segue com baixa liquidez, o cumprimento de contratos para exportação continua a todo vapor, após os embarques de dezembro/2025 atingirem recorde da série Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciada em 1997, o que também contribuiu para o maior volume anual de vendas externas da história. De modo geral, os negócios da pluma têm sido retomados aos poucos, mas o ritmo ainda é considerado lento. A queda da taxa de câmbio diminui a paridade de exportação e reduz a presença compradora. O Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, registra baixa de 0,56% nos últimos sete dias, cotado a R$ 3,51 por libra-peso. Na parcial do mês de janeiro, porém, há alta acumulada de 0,78%.

A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,46 por libra-peso (64,52 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,47 por libra-peso (64,72 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os futuros são sustentados pelas estimativas de menores produção e estoques, divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no dia 12 de janeiro. A desvalorização do dólar também é um fator de sustentação, além dos maiores valores do petróleo. O contrato Março/2026 registra alta de 0,40% nos últimos sete dias, para 64,91 centavos de dólar por libra-peso; o Maio/2026 tem avanço de 0,68%, para 66,44 centavos de dólar por libra-peso; o Julho/2026 registra alta de 0,82%, para 67,66 centavos de dólar por libra-peso; e o vencimento Outubro/2026 apresenta avanço de 0,72%, para 68,43 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo dados da Secex, o Brasil embarcou 452,49 mil toneladas em dezembro/2025, recorde de exportações em um único mês. O valor médio foi de 70,91 centavos de dólar por libra-peso, o menor preço desde outubro de 2010. Em moeda nacional, o valor recebido pelo exportador foi de R$ 3,86 por libra-peso, 11,4% acima do preço doméstico. Pelo quarto mês consecutivo, o preço da exportação superou a cotação doméstica. Em dezembro, os principais destinos dos embarques foram China (32,2%), Bangladesh (17,7%), Turquia (16,5%), Paquistão (9,7%) e Vietnã (9,0%). Outros 15 destinos absorveram 14,9% da exportação mensal. No acumulado de 2025, as vendas externas também foram recordes, somando 3,026 milhões de toneladas, volume 9,1% acima do de 2024, que era o recorde até então.

Desse total, 1,621 milhão de toneladas foram embarcadas entre janeiro e julho de 2025 e 1,405 milhão, entre agosto e dezembro. O principal destino das exportações de 2025 foi a China, que absorveu 16,9% do volume total, mas com recuo de 44,6% em relação a 2024. Vale destacar que os Estados Unidos exportaram apenas 101,6 mil toneladas para a China, redução de 87% frente ao ano anterior. Outros destinos dos embarques brasileiros em 2025 foram Bangladesh (16,4% do total, com aumento de 52,1% sobre 2024), Paquistão (16,1%; +68,6%), Turquia (14,0%; +69,6%) e Vietnã (13,8%; -22,7%). Outros 26 destinos absorveram 22,8% do volume exportado. Vale destacar que as exportações seguem em ritmo acelerado neste início de 2026.

Segundo a Secex, foram embarcadas 136,3 mil toneladas nas duas primeiras semanas do ano, com média diária de 22,7 mil toneladas, 20,3% acima da de janeiro/2025. Naquele mês todo, foram exportadas 415,6 mil toneladas. O preço médio dos embarques está em 70,48 centavos de dólar por libra-peso 9,2% abaixo do de janeiro/2025. As estimativas do USDA divulgadas na segunda-feira (12/01), apresentaram reajustes negativos para a produção da Índia (-2,1%), dos Estados Unidos (-2,5%) e da Turquia (-6,3%). Por outro lado, houve elevação das previsões para a China (+3%). No agregado, a produção mundial de 2025/2026 está prevista em 26 milhões de toneladas, 0,3% abaixo da estimativa de dezembro, mas ainda 0,8% acima do volume registrado na safra 2024/2025.

O USDA também elevou a projeção de consumo da China (1,3%), mas reduziu a da Turquia (-1,4%) e do grupo Outros (-0,5%). Em termos agregados, houve elevação de 0,3% no consumo mundial, para 25,89 milhões de toneladas, em linha com as estimativas da safra 2024/2025. As transações globais foram elevadas para 9,53 milhões de toneladas, o que implica importações 0,1% maiores que as previstas em dez/25 e 1,7% acima do volume da temporada passada. Os estoques de passagem da safra 2025/2026 foram reduzidos em relação aos dados de dezembro/2025, o que sustentou os preços futuros, mas ainda ficarão 1% acima dos de 2024/2025. Com isso, a relação estoque final x consumo fica em 62,6%, contra 62,0% na temporada passada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.