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08/Jan/2026

Mercado global registra oferta elevada de algodão

O mercado de algodão entra em 2026 com oferta global ainda confortável, demanda internacional moderada e expectativa de produção levemente menor no Brasil, em um ambiente condicionado pelo ritmo das exportações e pela cautela da indústria têxtil. As projeções indicam que a oferta mundial deve continuar acima do consumo e que o Brasil deve manter a liderança global nos embarques, mesmo com ajustes de área e produtividade no ciclo 2025/2026. O País deve preservar papel central no mercado internacional. A produção brasileira tende a recuar em relação ao recorde anterior, mas permanece entre as maiores da história, e os embarques continuam como principal instrumento de escoamento da oferta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima área de 2,1 milhões de hectares em 2025/2026, leve alta de 0,7% sobre o ciclo anterior, com expansão no Norte/Nordeste e retração no Centro-Sul.

A produtividade média projetada é de 1.885 quilos por hectare, baixa de 3,5%, o que deve resultar em 3,96 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,9% frente à safra anterior. A disponibilidade interna está prevista em 6,77 milhões de toneladas, considerando estoque inicial, produção e importações, alta de 4,5% sobre 2024/25. O consumo doméstico tende a permanecer estável, estimado em 730 mil toneladas, enquanto as exportações podem alcançar 3,06 milhões de toneladas. O estoque de passagem deve atingir 2,98 milhões de toneladas em dezembro, avanço de 6,07% sobre o ano anterior. Os dados consolidados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 3,142 milhões de toneladas de algodão em 2025, alta de 13,27% frente a 2024. O faturamento foi de US$ 4,978 bilhões, recuo de 3,42%, reflexo da queda das cotações internacionais. Em dezembro, os embarques somaram 452,491 mil toneladas, aumento de 28,2% ante o mesmo mês de 2024.

O preço médio do algodão exportado no último mês de 2025 ficou em US$ 1.563,30 por tonelada, redução de 11% sobre igual período do ano anterior. No plano global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta oferta de 25,823 milhões de toneladas para 2025/2026, apenas 0,3% abaixo da temporada anterior. A demanda continua limitada e deve seguir abaixo da oferta, mantendo a relação estoque-consumo em 64,1%. O comércio global foi estimado em 9,52 milhões de toneladas, avanço de 1,6% nas importações. O Brasil deve seguir como principal exportador, com embarques previstos em 3,157 milhões de toneladas, volume 11,4% acima da safra anterior e 18,9% superior ao dos Estados Unidos. No ambiente macroeconômico, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta desaceleração do crescimento global para 3,1% em 2026, com impacto sobre o consumo de bens industriais.

Para o Brasil, a estimativa é de avanço de 1,9% no ano, em um contexto de juros elevados e menor dinamismo da atividade. Esse cenário reforça a cautela da indústria têxtil, que tende a operar com estoques ajustados e compras mais espaçadas de matéria-prima. A concorrência com fibras sintéticas, que respondem por cerca de 78% do consumo global, continua limitando a recuperação das cotações. Mesmo assim, melhorias pontuais nas vendas de produtos finais ou movimentos de recomposição de estoques podem gerar momentos de sustentação no mercado interno. O dólar permanece determinante para a remuneração dos exportadores, elevando a importância do monitoramento da paridade de exportação frente aos preços domésticos. No mercado interno, o Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias está cotado a R$ 3,54 por libra-peso.

Na Bolsa de Nova York, o contrato março avançou 41 pontos, ou 0,63%, para 65,06 centavos de dólar por libra-peso, em movimento de cobertura de posições vendidas. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostraram que fundos de investimento reduziram posições líquidas vendidas, indicando movimento que tem oferecido suporte às cotações neste início de ano. No mercado físico, os contratos a termo registrados na Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) somavam 621,52 mil toneladas até 6 de janeiro, o equivalente a 16% da produção estimada pela Conab para 2025/2026. Desse total, 287,82 mil toneladas foram destinadas ao mercado interno e 255,58 mil toneladas às exportações. Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apurou que 40,40% da pluma da safra 2025/2026 estava comercializada, abaixo do porcentual do ano anterior e da média das últimas cinco temporadas, sinalizando postura mais defensiva dos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.