07/Jan/2026
Mesmo diante de um ambiente de demanda moderada, o Brasil deve manter um papel central no mercado global de algodão na temporada 2025/2026. A produção nacional pode registrar um leve recuo em relação ao recorde anterior, mas ainda deverá ser a segunda maior da história, enquanto as exportações seguem firmes e continuam sendo o principal canal de escoamento da volumosa oferta. A depender do desempenho da produtividade, a redução de área no Centro-Sul tende a ser parcialmente compensada pelo avanço do cultivo na Região Norte/Nordeste, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
No cenário macroeconômico, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma desaceleração do crescimento global para 3,1% em 2026, após taxas de 3,3% em 2024 e de 3,2% em 2025. Para o Brasil, o ritmo esperado é ainda mais moderado, com avanço de apenas 1,9% em 2026. A combinação entre juros elevados, incertezas econômicas e menor dinamismo da atividade deve manter o consumo de bens não essenciais contido, refletindo-se em compras mais cautelosas de matéria-prima pela indústria têxtil. Além disso, a concorrência com fibras sintéticas, que já representam cerca de 78% do consumo global de fibras, segue pressionando as cotações do algodão.
Ainda assim, eventuais melhorias nas vendas de produtos finais e uma possível recuperação dos preços internacionais podem gerar momentos pontuais de sustentação no mercado doméstico. Nesse contexto, o bom desempenho das exportações brasileiras permanece fundamental para o equilíbrio do mercado. No front externo, o Brasil continua se destacando pela escala produtiva e pela competitividade, além dos avanços em rastreabilidade e sustentabilidade. O comportamento do dólar permanece um fator decisivo para a remuneração dos negócios, tornando essencial o acompanhamento da paridade de exportação em relação aos preços internos para a tomada de decisão.
No contexto doméstico, observa-se menor volume de contratos a termo firmados antecipadamente, especialmente os com preços fixos. Diante das incertezas e da volatilidade, agentes têm priorizado negociações indexadas ao Indicador CEPEA/ESALQ e/ou à Bolsa de Nova York para reduzir riscos. No Brasil, a área cultivada com algodão deve crescer apenas 0,7% na safra 2025/2026 em relação à temporada anterior, alcançando 2,1 milhões de hectares, segundo a Conab. Esse resultado decorre do avanço de 4% na Região Norte/Nordeste e da retração de 0,4% no Centro-Sul. A produtividade média é estimada em 1.885 Kg por hectare, queda de 3,5% em relação à safra anterior, o que deve resultar em produção de 3,96 milhões de toneladas de pluma, retração de 2,9% no comparativo anual.
A disponibilidade interna (estoque inicial, produção e importações) está prevista em 6,77 milhões de toneladas, aumento de 4,5% sobre a temporada anterior. O consumo doméstico em 2026 é estimado em 730 mil toneladas, leve alta de 0,69%. As exportações devem alcançar 3,06 milhões de toneladas, crescimento de 3,98%, enquanto os estoques de passagem, em dezembro de 2026, são projetados em 2,98 milhões de toneladas, 6,07% acima dos de dezembro de 2025. De acordo com dados da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), os contratos registrados até o dia 6 de janeiro, referentes à safra 2025/2026, somavam 621,52 mil toneladas, o que representa 16% da produção nacional estimada pela Conab.
Desse volume, 287,82 mil toneladas são destinadas ao mercado interno; 255,58 mil toneladas, para exportação; e 78,1 mil toneladas, para contratos flex. Para a safra 2026/2027, a BBM aponta que pelo menos 73 mil toneladas já foram comercializadas. Em Mato Grosso, os últimos dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que 40,40% da pluma da temporada 2025/2026 foi comercializada, percentual inferior ao do mesmo período do ano anterior (44,47%) e abaixo da média das últimas cinco safras (50,72%), evidenciando uma postura mais cautelosa dos produtores. As negociações para exportação com embarques durante 2026 apresentam média de 71,76 centavos de dólar por libra-peso até dezembro/2025, considerando-se os valores FOB no Porto de Santos (SP).
Os negócios envolvendo a pluma ainda da temporada 2024/2025 estão, em média, em 69,91 centavos de dólar por libra-peso para este início de ano. Os contratos a termo captados, com entregas para 2026, apontam uma média de R$ 3,87 por libra-peso, posto na indústria. No mesmo período, quando consideradas também as ofertas de compra e de venda, a média fica em R$ 3,73 por libra-peso, posto na indústria, sendo R$ 3,63 por libra-peso no primeiro semestre e R$ 4,34 por libra-peso nos últimos seis meses de 2026. Para a comercialização em dólar destinada ao mercado interno, com entregas ao longo de 2026, a média de preço está em 69,25 centavos de dólar por libra-peso, posto na indústria.
Levando em conta também as ofertas de compra e de venda, a média fica estimada em 67,83 centavos de dólar por libra-peso para o primeiro semestre e em 69,96 centavos de dólar por libra-peso para o segundo semestre de 2026. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam um leve aumento na oferta mundial de 0,4% em relação à temporada 2024/2025. O consumo mundial, por sua vez, foi projetado em 25,823 milhões de toneladas, apenas 0,3% inferior ao do mesmo período do ano anterior. Dessa forma, a oferta deve ficar 1% acima da demanda na temporada 2025/2026 e a relação estoque/consumo, em 64,1%.
As transações mundiais na temporada 2025/2026 foram estimadas em 9,52 milhões de toneladas, com um avanço de 1,6% nas importações. O Brasil deve manter a liderança das exportações mundiais, com 3,157 milhões de toneladas na temporada 2025/2026, 11,4% acima da safra anterior e 18,9% superior ao volume dos Estados Unidos, previsto em 2,656 milhões de toneladas (+2,5% em relação à safra 2024/2025). No Brasil, tomando-se como base as médias do período de julho a novembro de 2025, em relação ao mesmo período de 2024, dados apontam pequenas quedas de custos de produção (1,7%) na região da Bahia, redução maior do que a observada nos preços médios (0,7%).
A depender da tecnologia, os custos operacionais de julho a novembro de 2025 variaram entre R$ 16.000,00 por hectare e R$ 17.400,00 por hectare. Considerando-se produtividades de pluma entre 119 arrobas por hectare e 136,00 arrobas por hectare, o retorno operacional variou de 6% a 11%, enquanto a margem operacional variou de 5,6% a 9,7%. O que chama a atenção é que a margem operacional não cobre os demais custos econômicos, como a depreciação e os custos de oportunidade do imobilizado, incluindo a terra. Porém, caso se considere apenas o custo de depreciação, haveria retornos entre nulos e ligeiramente positivos, até melhores que os de 2024. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.