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18/Dec/2025

Preços sustentados e baixa liquidez no mercado

O mercado brasileiro de algodão segue com liquidez reduzida no spot. As cotações têm suporte na postura firme de vendedores e a perspectiva de rentabilidade apertada em 2025/2026 condiciona o ritmo de negociações e o avanço do plantio em Mato Grosso. Observa-se menor interesse vendedor no curto prazo e decisões de plantio marcadas por custos elevados e preços desestimulantes. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, registra avanço de 0,16% no acumulado de dezembro. Os agentes vêm se afastando das negociações spot e priorizando carregamentos, mas a combinação entre vendedores seletivos e compradores com necessidade imediata tem evitado quedas mais acentuadas nas cotações.

Parte da demanda aguarda a retomada operacional em 2026, enquanto outra parcela segue buscando produto para embarques no início do ano. Do lado da oferta, as projeções para Mato Grosso indicam queda de 7,28% na área plantada em 2025/2026, para 1,43 milhão de hectares, após quatro ciclos de expansão, de acordo com o Imea. Com produtividade estimada em 290,74 arrobas por hectare, a produção estadual foi projetada em 2,58 milhões de toneladas, baixa de 14,48% ante o ciclo anterior. Segundo o Itaú BBA, o ponto de atenção para a temporada futura está na rentabilidade. A combinação de custos mais altos, os preços baixos e comercialização mais lenta deve permear o próximo ano, visto que ainda não há fatores que levem à valorização da pluma no mercado.

O mercado deve iniciar 2026 ainda pressionado pela combinação entre estoques elevados e demanda global fraca, sem sinais de gatilhos capazes de reverter a trajetória de preços no curto prazo. A projeção é de estoques finais recordes de 3 milhões de toneladas no Brasil ao término da safra 2025/2026, mesmo com exportações previstas para superar 3 milhões de toneladas. A conclusão da colheita e o aumento do volume beneficiado, somados à demanda interna e externa ainda fraca, continuam pressionando as cotações. O avanço do plantio no País segue desigual. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), 15,63% da área nacional de 2025/2026 estava semeada até 11 de dezembro.

A Bahia liderava com 72%, seguida por São Paulo (65%), Minas Gerais (55%), Mato Grosso do Sul (40%) e Goiás (30%). No Paraná, os trabalhos já estavam concluídos. O beneficiamento da safra 2024/2025 alcançou 89,47% no Brasil, chegando a 96% na Bahia e 87% em Mato Grosso. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo as estimativas deste mês, reduzindo em 2,45% a área e a produção previstas em Mato Grosso. O relatório projeta 1,45 milhão de hectares e 2,7 milhões de toneladas no Estado.

Para o Brasil, a produção deve somar 3,96 milhões de toneladas, queda de 1,7% frente a novembro e de 2,9% em relação à temporada passada, com produtividade estável em 1.885 Kg por hectare. No quadro global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de 26,081 milhões de toneladas em 2025/2026, levemente acima da safra anterior. O consumo está estimado em 25,823 milhões de toneladas, mantendo oferta superior à demanda. Os estoques finais globais devem alcançar 16,541 milhões de toneladas, com altas mensais nos volumes dos Estados Unidos e do Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.