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02/Dez/2020

Otimismo eleva os preços globais de commodities

A onda de otimismo que dominou os mercados financeiros globais nas últimas semanas, que levou bolsas de valores a alcançarem patamares recorde, estimulou um maior apetite ao risco e motivou ajustes para baixo do valor do dólar em relação ao de outras moedas, abriu espaço para uma alta generalizada das cotações das principais commodities exportadas pelo Brasil em novembro nas bolsas de Chicago e Nova York. A liquidez represada por meses de pandemia transbordou para os mercados financeiros com as notícias de que vacinas eficientes contra a Covid-19 em breve permitirão que as economias retomem o ritmo. Assim, produtos como petróleo e minério de ferro, além das commodities agrícolas, também registraram altas. Embora a queda da moeda norte-americana teoricamente desestimule exportações de vários países, inclusive o Brasil, confere maior competitividade a produtos dos Estados Unidos.

Commodity agrícola mais negociada no mercado internacional, a soja surfou a onda e voltou a patamares que não eram observados há mais de seis anos. Segundo cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos de segunda posição de entrega, a soja fechou o mês passado na Bolsa de Chicago com altas de 8,52% em relação a outubro e de 24,5% na comparação com novembro de 2019. No mercado de milho, os ganhos foram de 4,4% e 10,13%, respectivamente. A aquecida demanda da China pelos grãos produzidos nos Estados Unidos animou um pouco mais as escaladas, que também encontraram apoio em problemas climáticos que afetam esta safra 2020/2021 no Brasil e na Argentina. No caso da soja, foi o sexto mês consecutivo de valorizações, e a média observada em novembro é a maior desde julho de 2014. O milho também deu continuidade a uma tendência ascendente iniciada em junho e voltou ao degrau de julho de 2019.

Analistas não veem motivos para perdas expressivas de sustentação em dezembro, embora movimentos de realização de lucros sejam naturais e o clima sul-americano esteja melhorando. Importadores chineses de soja também já indicaram, com o cancelamento de algumas compras do grão dos Estados Unidos, que as altas foram longe demais. Entre as “soft commodities” mais exportadas pelo Brasil, o destaque na Bolsa de Nova York no mês passado foi a valorização do algodão, cujas cotações acompanham de perto as oscilações do petróleo por causa da concorrência entre fibras sintéticas e naturais. Os papéis de segunda posição de entrega do algodão fecharam novembro com altas de 2,77% ante outubro e de 9,14% sobre novembro de 2019.

No mercado de açúcar, outro ativo agrícola que guarda relação com o petróleo, sobretudo em consequência da força da produção de etanol no Brasil, o valor médio dos contratos na Bolsa de Nova York no mês passado foi 2,77% maior que o de outubro e de 10,01% superior à média mensal de novembro de 2019. Como no caso dos grãos, as cotações do açúcar também vêm sofrendo a influência do clima seco e quente no Brasil, da mesma forma que o café. Este também recebeu suporte da “onda altista” e fechou novembro com preço médio 4,32% superior ao de outubro. Na comparação com novembro de 2019, a variação ainda é pequena (2,22%), mas já é positiva. O suco de laranja, finalmente, não ficou de fora da festa e registrou valorizações de 6,24% ante outubro e de 20,78% em relação a novembro do ano passado. Fonte: Valor Online. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.