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18/Nov/2020

Crédito para empresas com menor risco ambiental

Segundo o Rabobank, bancos em todo o mundo estão cada vez mais preocupados com o risco socioambiental de empresas em geral, do agronegócio inclusive. Há um risco que começa a ser analisado pelos bancos, que é o socioambiental. Se um banco empresta dinheiro para uma multinacional que tem trabalho escravo na Indonésia e ela tem prejuízo, isso é um risco para instituição financeira, por exemplo. Os bancos ainda não sabem como incluir indicadores socioambientais no cálculo de risco dos clientes, mas que isso deve se tornar realidade dentro de alguns anos. Os modelos financeiros atuais de análise de risco levam em conta dados quantitativos e qualitativos da operação de quem solicita crédito, que geram um "rating" (nota) para o cliente, indicando se ele oferece maior ou menor risco ao banco. Indicadores do desempenho socioambiental da atividade, contudo, ainda não são contabilizados nestes modelos.

Existe uma avaliação da questão ambiental nos bancos, que passa pelos comitês de crédito, mas é mais exclusiva do que qualitativa. A depender do problema, o banco decide não emprestar recursos para o solicitante. O que está em estudo agora entre bancos e órgãos reguladores é que a avaliação socioambiental faça arte do cálculo de risco dos clientes. Os bancos não sabem ainda como fazer isso, mas a ideia é que em alguns anos parte desse rating venha do desempenho socioambiental. Com tais aspectos contemplados na análise de risco, tende a obter crédito mais barato a empresa ou produtor rural com melhor gestão ambiental do negócio. É importante lembrar que os recursos são finitos e os bancos têm limites de volumes a emprestar para cada setor. Se o banco tem um pedido de cliente com risco melhor e outro pior e só pode emprestar para um, vai emprestar para o melhor.

Para obter crédito a taxas melhores, prazos maiores, vai ter de ter indicadores ambientais bons. As empresas em geral, incluindo o agronegócio, devem começar a trabalhar para ter um relatório socioambiental, se ainda não têm, com mensuração das emissões de gases de efeito estufa e outros indicadores. Elas também devem contar com um responsável pela área em nível gerencial, um profissional capaz de dialogar com bancos e mercado. Para o produtor rural, o básico é ter o CAR (Cadastro Ambiental Rural) em dia. Mas, tem de ir além, buscar certificações, que serão diferenciais. A profissionalização na gestão foi reforçada pelo Itaú BBA. Cada vez mais os produtores terão de ter transparência, política de gestão de risco, políticas comerciais, caixa. Esse tipo de coisa vai ficar mais importante para que possa ser percebida uma redução do risco da atividade. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.