16/Dez/2019
O acordo inicial anunciado entre Estados Unidos e China não inclui os tópicos mais sensíveis de impasse entre os dois países e, portanto, as incertezas para um acordo total, que coloque fim à guerra comercial, ainda enfrenta obstáculos consideráveis. Questões sensíveis, como subsídios estatais chineses indiretos e o desejo dos Estados Unidos de que a China abandone sua ambição de dominar os mercados de tecnologia foram deixados para uma segunda fase do acordo. Além disso, o texto final da primeira fase ainda precisa ser redigido, o que pode criar problemas. O acordo veio antes do previsto, mas não surpreende, já que o presidente norte-americano, Donald Trump, mira a reeleição em 2020.
O aumento tarifário que estava previsto para o dia 15 de dezembro, e agora derrubado, é impopular e Donald Trump almeja ser visto como um negociador às vésperas do pleito presidencial. Mesmo assim, a postura do republicano de já anunciar o início das negociações da próxima etapa é arriscada, pois cria expectativas de que mais uma fase do acordo seja firmada até as eleições. Agora, Donald Trump corre o risco de que o acordo “Fase 1” seja ofuscado por dificuldades de conseguir firmar um novo entendimento com a China. Segundo o Goldman Sachs, o aspecto mais importante do acordo inicial firmado entre Estados Unidos e China é a mudança no posicionamento do governo norte-americano nas negociações, demonstrada principalmente pela redução de tarifas sobre importações do país asiático.
A incerteza, contudo, permanece, devido à ausência de detalhes e à necessidade de revisão legal do texto, antes de ser assinado. O fato de autoridades de ambos os países terem anunciado um acordo na mesma linha indica que as chances de as duas partes não conseguirem finalizar o acordo de “Fase 1” são baixas. Em relatório, o banco americano pondera que a reversão tarifária foi menor que seu cenário base. O Goldman Sachs acreditava que as tarifas de 15% sobre cerca de US$ 120 bilhões em bens chineses seriam totalmente retiradas, mas a alíquota foi apenas reduzida pela metade, a 7,5%. Ainda assim, o efeito é positivo em comparação com o status quo. O efeito do acordo sobre a economia chinesa deve ser relativamente pequeno, assim como deve ser para os Estados Unidos. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.