28/Ago/2019
A reunião do presidente Jair Bolsonaro com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal expôs nesta terça-feira (27/08) uma divisão entre os governadores da região, seis deles mais alinhados politicamente ao Palácio do Planalto, e outros três não. A adesão ao discurso do presidente contra as políticas ambiental e indigenista praticadas no País rachou o bloco. A partir de agora, as ações emergenciais de combate aos incêndios serão coordenadas com os governadores entre Amazônia Ocidental e Amazônica Oriental, seguindo critérios definidos militarmente. Elas devem ocorrer até a próxima semana e incluir uma visita do ministro à Amazônia. Bolsonaro também estudar ir à região.
No lado ocidental, mais simpático ao presidente, ficaram os governadores e Estados ligados ao Comando Militar da Amazônia: Gladson Camelli (PP), do Acre; Wilson Lima (PSC), do Amazonas; Marcos Rocha (PSL), de Rondônia; Antônio Denarium (PSL), de Roraima; Mauro Mendes (DEM), de Mato Grosso, e Mauro Carlesse (DEM), do Tocantins. No oriental, vinculado ao Comando Militar do Norte, estão Waldez Góes (PDT), do Amapá, Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, e Helder Barbalho (MDB), do Pará. O consórcio tem se esforçado para manter uma unidade entre os governadores, mas as divergências ficaram evidentes no encontro com Bolsonaro. Eles concordam com ações emergenciais, como o emprego das Forças Armadas para conter as chamas, mas não com a agenda de longo prazo para o desenvolvimento da região e ações de prevenção.
O governador Marcos Rocha (PSL), por exemplo, é favorável a mudanças nas leis e na Constituição para permitir exploração de terras indígenas, embora pondere que haja mais concordâncias entre os governadores do que divergências. A reunião transcorria em clima de concordância enquanto os governadores dos Estados ao leste trocavam impressões sobre políticas públicas com o presidente, até que Helder Barbalho (MDB) tomou a palavra e afirmou que o governo federal erra ao abrir mão dos R$ 83 milhões oferecidos pelo G7 e insiste na disputa com o presidente da França, Emmanuel Macron. Ele considera que não é correto abdicar de receita, de recurso. Em tom respeitoso, houve na reunião momentos de insatisfação, mas o bloco mais ligado a partidos de oposição avaliou como "positivo" o fato de poder expor sua posição no Planalto.
Para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), há uma espécie de terrorismo por parte do governo que "sataniza" índios, ONGs, quilombolas e unidades de conservação. O objetivo é chegar a um meio-termo. Ele considera que não é o momento de “rasgar” dinheiro e o objetivo é construir uma modulação adequada para um discurso antiambientalista. O governador afirmou não acreditar em pacotes unilaterais nem na agenda de retrocessos ambientais, pois este não é o caminho para desenvolver a Amazônia. Presidente do Consórcio, Waldez Góes também defendeu o uso de todos os recursos disponíveis e pediu mais integração do bloco da Amazônia com o governo federal. Waldez entregou um documento que serviria de plano de ação sugerido pelos governadores. Ele sugeriu, por exemplo, mudar a gestão do Fundo Amazônia do Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Banco da Amazônia, que tem mais presença e estrutura na região. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.