05/Ago/2019
O clima excessivamente úmido durante a primavera no Meio Oeste dos Estados Unidos afetou seriamente a indústria agrícola, elevando em centenas de milhões de dólares os custos de tradings de grãos e fornecedores de sementes e defensivos. Milhões de hectares de milho e soja deixaram de ser semeados por causa das chuvas e alagamentos, resultando em devolução de produtos e aumento dos estoques de produtores de sementes e pesticidas como Corteva e Bayer. Tradings como Archer Daniels Midland (ADM), Bunge e Ingredion tiveram de lidar com o aumento do nível dos rios, que provocou o fechamento de unidades e a alta dos preços de grãos no Meio Oeste. Segundo a Corteva, é difícil descrever como este ano tem sido difícil. A empresa de sementes e agroquímicos se desmembrou da DowDuPont no começo de junho.
O clima adverso reduziu pela metade o lucro trimestral do negócio de sementes da companhia. As vendas de sementes da Corteva na América do Norte diminuíram US$ 180 milhões no período, enquanto as de pesticidas caíram US$ 161 milhões. A Corteva informou que seus custos no segundo trimestre foram elevados por causa do replantio em algumas áreas, uma despesa geralmente coberta pelas empresas de sementes. Além disso, alguns produtores trocaram suas encomendas, optando por sementes de milho de maturação mais rápida ou por sementes de soja de preço mais baixo. Com a redução da área plantada, empresas de sementes reduziram seus preços. Agora, a companhia prevê que seu lucro em 2019 pode ser reduzido em até US$ 300 milhões em relação à estimativa anterior. Os eventos na América do Norte neste ano são inéditos.
A Bayer, maior empresa de sementes e agroquímicos do mundo após a aquisição da Monsanto, no ano passado, afirmou que o clima úmido durante a primavera pode impedir que a companhia alcance sua meta de lucro em 2019. Segundo a Bayer, as chuvas provocaram uma queda de US$ 337 milhões nas vendas de sua divisão agrícola, levando alguns produtores nos Estados Unidos a desistir de plantar milho e de aplicar herbicidas. Isso afetou particularmente as vendas do herbicida Roundup. Alguns agricultores estão optando por pesticidas genéricos para reduzir custos, pressionando ainda mais empresas como Corteva, Bayer e Syngenta. A ADM, uma das maiores processadoras e exportadoras de grãos do mundo, afirmou que as chuvas elevaram seus custos em US$ 65 milhões no segundo trimestre. Inundações afetaram as barcaças da trading, aumentaram os custos de transporte e tornaram o milho norte-americano mais caro para compradores estrangeiros.
O volume de milho inspecionado para exportação em portos dos Estados Unidos caiu 43% no segundo trimestre. Inundações também forçaram a ADM a fechar unidades em Nebraska e Illinois. Dificuldades parecidas custaram à Bunge cerca de US$ 13 milhões no trimestre. Nas regiões mais prejudicadas do Meio Oeste, tradings como ADM, Bunge e Cargill estão oferecendo prêmios robustos por grãos para garantir o produto antes de uma safra incerta. A oferta mais apertada já está elevando os custos de grandes compradores de grãos, como pecuaristas e empresas de alimentos. A Ingredion, que produz xarope de milho rico em frutose, amidos e outros alimentos, afirmou que os preços mais altos de milho reduziram seu lucro na América do Norte em US$ 29 milhões em 2019 até agora. A expectativa de preços ainda mais altos levou a companhia a cortar sua projeção de lucro para 2019. A empresa está trabalhando para repassar a alta dos custos de grãos para seus clientes. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.