15/Jul/2019
Com o aperto na renda, há grupos que estão vendendo terras para quitar dívidas. Outra alternativa é pedir recuperação judicial para suspender o pagamento de pendências. Segundo a Diretoria de Agronegócios do Itaú BBA, há uma onda de recuperações judiciais e propriedades estão indo a leilão a preços muito inferiores aos avaliados. Nos últimos dois anos, a recuperação judicial do produtor de soja pessoa física aumentou entre 25% e 30%, segundo a Abiove. Associados da entidade, que reúne as processadoras de soja, decidiram cortar em 50% o crédito para a próxima safra por temerem o avanço do calote. As tradings da Abiove financiam um terço da produção de soja.
Segundo a Aprosoja, o momento é bem delicado. O descompasso que há entre a queda do preço da soja e a alta dos custos reduz a rentabilidade e amplia o endividamento e o calote. É forte o movimento de produtores tradicionais do Centro-Oeste arrendando ou vendendo parte das terras. Às vezes o produtor está tão endividado que não consegue crédito, daí vende um pedaço da terra para pagar dívida ou arrenda para poder sobreviver. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência dos produtores com financiamento não pagos há mais de 90 dias para nove atividades somou R$ 3,4 bilhões ou 1,34% dos R$ 254 bilhões concedidos pelo sistema financeiro em 2018.
Os produtores de leite responderam pela maior fatia (15%) da dívida. Entre os grãos, os sojicultores são os mais inadimplentes. Segundo a CNA, a inadimplência pode ser bem pior para os produtores de soja. É que eles usam muito crédito das tradings e das revendas de insumos e não há dados sobre esses canais de financiamento. Em 2018, a ASV Consultoria passou a atuar na área de intermediação entre produtores e fundos de investimentos interessados na compra de imóveis rurais. Naquele período, fez cinco contratos com produtores que queriam vender ou arrendar fazendas. Neste ano, já tem 30 contratos. Há casos em que o dono quer vender a terra com a condição de que o comprador arrende para ele mesmo. A maioria dos interessados na compra são chineses. Fonte: Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.