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06/Nov/2026

Clima: chuvas suficientes em parte do Centro-Oeste

O El Niño muito forte mantém os riscos climáticos no radar da safra brasileira de soja 2026/27, mas os modelos acompanhados pela Nottus Meteorologia ainda indicam condições favoráveis para boa parte das lavouras do Centro-Oeste. A consultoria não identifica, neste momento, períodos prolongados de estiagem com potencial para provocar quebra de safra. Os principais pontos de atenção estão relacionados à chuva abaixo da média em partes do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e do Pará e ao excesso de precipitações no Paraná. A avaliação considera que a intensidade do fenômeno no Oceano Pacífico não determina, isoladamente, os impactos sobre o clima brasileiro. Os modelos indicam possíveis interrupções nas chuvas em novembro e dezembro, mas sem sinalizar períodos secos prolongados, acompanhados de calor intenso, nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que, em outubro, a temperatura do Pacífico na região utilizada para monitorar o El Niño ficou 2,47°C acima da média, o maior aquecimento já registrado para o mês. O instituto classificou o episódio como muito forte. No campo, o plantio da soja avança em ritmo superior ao registrado no ciclo anterior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) registrou 54,3% da área semeada até 30 de outubro, ante 47,7% no mesmo período de 2025 e 51,8% na média das últimas cinco safras. Mato Grosso, maior produtor nacional, alcançou 90,8% da área plantada, enquanto Goiás chegou a 58%. Em contrapartida, Tocantins, Maranhão e Piauí apresentavam índices de 18%, 9% e 3%, respectivamente. No milho safra de verão (1ª safra 2026/2027) houve avanço do plantio para 75,2% da área do Centro-Sul, ante 68,4% um ano antes e 71,8% na média.

A perspectiva climática favorável em parte das regiões produtoras também contribuiu para a revisão da estimativa de produção da Stone, que elevou sua projeção para a safra brasileira de soja de 183,36 milhões para 184,95 milhões de toneladas, aumento de 0,9%. O ajuste refletiu principalmente a expectativa de rendimentos maiores em Mato Grosso, favorecida pelo plantio acelerado e pelas condições climáticas positivas nos primeiros estágios de desenvolvimento das lavouras. Um dos fatores que ajudam a explicar o comportamento das chuvas é a influência do Oceano Atlântico, que apresenta temperaturas acima do normal e contribui para o posicionamento e o avanço das frentes frias. A ausência de bloqueios atmosféricos e a disponibilidade de umidade proveniente da Amazônia têm favorecido a organização das precipitações no Sudeste, no Centro-Oeste e em áreas do Matopiba.

Esse padrão de aquecimento do Atlântico deve persistir por pelo menos mais seis semanas. As pausas previstas nas precipitações são, em geral, de cinco a sete dias. As lavouras de soja suportam, em média, até 15 dias sem chuva, mas o cenário de mais de 15 dias consecutivos de estiagem absoluta e temperaturas elevadas não aparece nos modelos meteorológicos. Para os próximos 15 dias, a previsão indica ocorrência de chuva em todas as regiões produtoras, inclusive no Matopiba. O cenário, entretanto, não é uniforme. Os riscos de maior estresse hídrico estão concentrados no Pará e em partes do Matopiba, além do nordeste de Mato Grosso, norte de Goiás e norte de Minas Gerais, na região do Araguaia. Nessas áreas, a expectativa é de precipitações abaixo da média, sem necessariamente configurar ausência completa de chuva, mas com possibilidade de maior pressão sobre as lavouras em razão da disponibilidade de água.

O Inmet também mantém cautela para novembro e prevê precipitações abaixo da média no oeste da Bahia e no sul do Piauí e do Maranhão, condição que pode dificultar o plantio da soja e do milho de primeira safra. No Centro-Oeste, a previsão indica chuva acima da média no sudoeste de Mato Grosso do Sul e abaixo da média no noroeste de Mato Grosso e no norte de Goiás, além de temperaturas superiores ao normal em toda a região. Na Região Sul, embora o El Niño costume favorecer o aumento das precipitações, o Rio Grande do Sul registrou chuvas abaixo da média nos últimos dois meses. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) informou que 62% da área de soja estava plantada até 26 de outubro, com 88% das lavouras em boas condições. O plantio do milho de primeira safra alcançava 94%. A principal preocupação para o Estado está relacionada ao volume de chuva durante a colheita, entre dezembro e janeiro.

A expectativa é de precipitações acima da média, mas concentradas em episódios de maior intensidade, sem necessariamente configurar um período contínuo de chuva que inviabilize os trabalhos no campo. O monitoramento será importante para identificar janelas de tempo firme e organizar as operações agrícolas. Para o milho de 2ª safra de 2027, a Nottus acompanha o risco de o El Niño antecipar o encerramento do período chuvoso em 2027. Os modelos ainda indicam condições relativamente favoráveis, enquanto o avanço do plantio da soja pode contribuir para antecipar a entrada do milho no campo e reduzir a exposição ao fim das chuvas. Na primeira estimativa para o ciclo, a StoneX projeta produção de 113,53 milhões de toneladas de milho de 2ª safra, aumento de 2,3%. Até o momento, o conjunto das previsões não aponta para uma quebra expressiva da produção, embora a distribuição das chuvas e a evolução do fenômeno climático exijam acompanhamento ao longo da temporada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.