06/Nov/2026
O Ministério da Agricultura deverá permanecer sob o comando do Partido Social Democrático (PSD) no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Pasta é disputada pela legenda e tradicionalmente fica sob controle de partidos de centro. Entre os principais nomes cotados para assumir o ministério estão o atual titular, André de Paula, e o ex-ministro e senador por Mato Grosso Carlos Fávaro. O PSD pretende manter pelo menos três ministérios no próximo governo e busca preservar o controle de pastas com influência regional. Na atual gestão, iniciada em janeiro de 2023, o partido comanda os Ministérios de Minas e Energia, da Agricultura e da Pesca. A manutenção da Agricultura é considerada estratégica pela legenda em razão do volume de emendas parlamentares destinadas pelo ministério a estradas vicinais e à aquisição de máquinas agrícolas, recursos que permitem articulação com as 887 prefeituras administradas pelo partido.
A estrutura das 27 superintendências estaduais de Agricultura e Pecuária também amplia a influência regional da Pasta. As articulações para a composição da Esplanada dos Ministérios ocorrem em meio à reorganização dos partidos de centro, que buscam ampliar sua participação no governo a partir de janeiro. As negociações ainda estão em estágio inicial e devem ganhar força após o retorno de Lula da COP31, na Turquia, onde o presidente participará da cúpula de líderes entre 11 e 12 de novembro. A expectativa é de que a distribuição das pastas e o anúncio dos ministros comecem em dezembro, podendo se estender até os últimos dias do ano. Em 2022, Lula anunciou Carlos Fávaro para o Ministério da Agricultura em 29 de dezembro. A definição do titular da Agricultura está vinculada à composição da base aliada no próximo mandato e às negociações com o Congresso Nacional. O PSD é considerado favorito por fontes governistas porque André de Paula e Carlos Fávaro apoiaram a reeleição de Lula, enquanto o partido permaneceu neutro no segundo turno, sem adesão à candidatura bolsonarista.
Caso a legenda mantenha o ministério, os dois principais nomes em avaliação são o atual titular e o ex-ministro. O retorno de Fávaro é bem avaliado por segmentos do setor produtivo, especialmente pela agroindústria e pelos exportadores, e era considerado provável até o fim do primeiro turno. O senador deixou o ministério para disputar a reeleição e organizar a coligação de Lula em Mato Grosso, em um movimento acompanhado da sinalização de que poderia retornar à Pasta caso o presidente fosse reeleito. Como não conquistou a reeleição, Fávaro perderá o mandato em 2027. A mudança no cenário político, porém, reduziu a previsibilidade de seu retorno, diante da necessidade de acomodar outros aliados que não conseguiram se eleger. Uma das possibilidades avaliadas é uma indicação por decisão pessoal de Lula, em razão da proximidade entre os dois. O ex-ministro mantém acesso ao Palácio do Planalto e é considerado integrante do círculo de confiança do presidente.
Em contrapartida, sua relação com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) foi marcada por conflitos e desgastes sucessivos. Parte dos parlamentares reconhece, entretanto, que Fávaro tinha maior trânsito político e poder de negociação dentro do governo do que o atual titular da Agricultura. A eventual volta do senador também ocorre em um contexto de derrotas eleitorais de outros integrantes ou ex-integrantes do governo, como a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB), o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede). André de Paula assumiu o ministério em abril deste ano e manifesta interesse em permanecer no cargo. Entre os fatores favoráveis à sua recondução estão a proximidade com a bancada do PSD na Câmara dos Deputados, que inicialmente o indicou para o Ministério da Pesca, o perfil de articulador político e a relação sem conflitos relevantes com a bancada do agronegócio. Sua atuação em defesa da conciliação com o setor produtivo após a eleição é considerada um possível sinal de abertura do governo ao diálogo com o agronegócio.
O ministro, contudo, enfrenta cobranças por maior participação em temas que envolvem outras Pastas, como a renegociação das dívidas rurais, além de críticas sobre um possível enfraquecimento institucional do Ministério da Agricultura. Em entrevista a um podcast, De Paula afirmou que não recebeu indicações nem conversou sobre a possibilidade de permanecer no cargo. Caso seja reconduzido, pretende ter autonomia para reorganizar a estrutura ministerial, uma vez que assumiu a pasta sem promover mudanças nas secretarias. Um fator que pode dificultar a permanência de De Paula é a relação política com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, também filiada ao PSD. A governadora não aderiu à candidatura de Lula no segundo turno, o que teria desagradado ao presidente. No Planalto, a avaliação é de que as iniciativas de aproximação com Raquel foram conduzidas pelo ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT), e não por De Paula, apesar da ligação partidária entre o ministro e a governadora.
Fontes governistas consideram que Lula esperava maior empenho do titular da Agricultura para levar Raquel ao palanque presidencial no segundo turno. A eventual manutenção de André de Paula ou o retorno de Carlos Fávaro também precisam ser considerados à luz da intenção de Lula de promover uma renovação na estrutura ministerial. Integrantes do governo indicam que o presidente pretende apresentar uma Esplanada com novos nomes a partir de janeiro, o que pode abrir espaço para outras alternativas dentro do PSD e de partidos aliados. Nesse cenário, também é cogitado o líder do PSD na Câmara dos Deputados, Antonio Brito (BA). O deputado tem articulação consolidada com os parlamentares para a distribuição de emendas da pasta e influência dentro do partido. Sua indicação poderia representar um aceno do governo à bancada do PSD na Câmara, especialmente diante de um cenário de maior dificuldade de articulação no Congresso. Brito também é alinhado ao presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, e mantém boa relação com o agronegócio baiano. Outro nome mencionado nas articulações é o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que não disputou a reeleição e é próximo do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Atual vice-presidente da FPA até o encerramento do mandato, Jardim é apontado por apoiadores como uma possível ponte entre o governo e a bancada ruralista. Segundo fontes, o deputado estaria disposto a se filiar ao PSD para viabilizar a indicação. Entre os fatores favoráveis estão a proximidade com a área econômica do Executivo, a interlocução em temas ligados ao agronegócio e a consolidação como uma das lideranças parlamentares do setor. Seu nome também teria apoio de segmentos empresariais. No cenário eleitoral, Jardim apoiou Ronaldo Caiado no primeiro turno e acompanhou a bancada no apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno. A FPA, por sua vez, já teria sinalizado que não avalizará indicações para o Ministério da Agricultura, em razão do apoio da bancada à candidatura de oposição. Também busca apoio para uma eventual indicação o empresário do setor de sementes Carlos Ernesto Augustin, ex-assessor especial do Ministério da Agricultura e filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.