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06/Nov/2026

Roraima tem potencial para expandir agropecuária

Roraima possui mais de 700 mil hectares com potencial para expansão da produção de alimentos por meio da agricultura e da pecuária, segundo estimativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O Estado reúne cerca de 1,2 milhão de hectares com condições para sistemas integrados de produção, dos quais 153 mil hectares eram ocupados por lavouras de soja e milho em 2026. A estimativa considera, entretanto, a existência de restrições de uso em parte do território, incluindo terras indígenas e unidades de conservação. A ampliação da atividade agropecuária depende, portanto, da identificação das áreas efetivamente disponíveis e adequadas à produção. O potencial de expansão acompanha o crescimento da pecuária bovina no Estado. Nos últimos oito anos, o rebanho de Roraima aumentou 60%, passando de 800 mil para 1,3 milhão de cabeças. O avanço está associado à incorporação de tecnologias, à melhoria das pastagens e à adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP).

A evolução também reflete mudanças na organização dos sistemas produtivos, que historicamente concentravam a criação de bezerros nas áreas de savana, conhecidas como lavrado, enquanto as etapas de recria e engorda eram conduzidas em áreas de floresta. Com a expansão da agricultura de grãos e da integração lavoura-pecuária, esse modelo vem sendo modificado. O cultivo de soja e milho contribui para a correção e o aumento da fertilidade dos solos, além de favorecer a elevação dos teores de matéria orgânica. Essas melhorias permitem o estabelecimento de pastagens cultivadas com gramíneas de maior potencial produtivo, como braquiárias, panicuns e andropogon. Segundo a Embrapa Roraima, os solos das savanas apresentam, naturalmente, baixa fertilidade, reduzidos teores de matéria orgânica e baixo conteúdo de argila, o que exige correção e manejo adequados para a implantação dessas forrageiras. A modernização dos sistemas também tem contribuído para melhorar a competitividade e a sustentabilidade da pecuária estadual.

No passado, os sistemas extensivos no lavrado apresentavam baixos índices de produtividade, com taxas de natalidade entre 35% e 45% e abate dos animais aos cinco ou seis anos de idade, com aproximadamente 300 quilos de peso vivo. Esses resultados estavam relacionados a modelos tradicionais de criação, com uso limitado de suplementação alimentar e vermifugação. Atualmente, a maior procura dos produtores por tecnologias e práticas de manejo tem favorecido a evolução dos indicadores produtivos e a redução dos impactos ambientais. Apesar do potencial de expansão, a atividade enfrenta desafios relacionados à irregularidade das chuvas e à ocorrência de pragas e doenças nas pastagens. As variações climáticas exigem planejamento alimentar e manejo adequado para garantir a disponibilidade de forragem durante os períodos de estiagem. Entre as estratégias recomendadas estão a produção de silagem e feno, o ajuste do manejo das pastagens conforme a fisiologia das plantas e o monitoramento de pragas, especialmente lagartas.

A manutenção de alternativas de alimentação é importante para evitar perdas de desempenho do rebanho nos períodos de menor oferta de pasto. A Embrapa Roraima desenvolve pesquisas voltadas à identificação de técnicas e tecnologias adaptadas às condições edafoclimáticas do Estado e promove encontros com produtores, técnicos e instituições de pesquisa para discutir demandas e apresentar soluções. A aproximação entre pesquisa e setor produtivo busca acelerar a adoção de tecnologias, ampliar a produtividade e melhorar a sustentabilidade dos sistemas agropecuários. A disponibilidade de áreas com potencial agrícola e pecuário, combinada à expansão da integração lavoura-pecuária, representa uma oportunidade para diversificar e fortalecer a produção de alimentos em Roraima, desde que respeitadas as restrições ambientais e territoriais. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.