06/Nov/2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma versão em comprimidos do Wegovy, medicamento à base de semaglutida, para o tratamento da obesidade em adultos. A apresentação oral surge como alternativa à aplicação injetável semanal, especialmente para pessoas com receio de agulhas ou dificuldades com as aplicações. Entretanto, especialistas alertam que a formulação exige cuidados específicos de administração e acompanhamento médico. A dose diária de manutenção aprovada é de 25 miligramas, alcançada por meio de aumento gradual da dosagem. A indicação contempla adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, ou a partir de 27 quando existe pelo menos uma complicação relacionada ao excesso de peso.
O tratamento deve ser associado a alimentação adequada, atividade física e acompanhamento clínico. A semaglutida em comprimidos já está disponível no Brasil sob a marca Rybelsus, com indicação para diabetes tipo 2. A novidade é a aprovação da formulação oral do Wegovy especificamente para o tratamento da obesidade. Segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a ausência de injeções não significa necessariamente maior facilidade de tratamento, uma vez que a apresentação oral exige disciplina na administração. O comprimido deve ser ingerido inteiro, pela manhã, em jejum, com até aproximadamente 120 mililitros de água. Após a administração, é necessário aguardar pelo menos 30 minutos antes de consumir alimentos, bebidas ou outros medicamentos por via oral.
O descumprimento dessas condições pode reduzir a absorção do princípio ativo e comprometer a resposta terapêutica. A formulação oral contém uma substância que facilita a absorção da semaglutida no estômago, mas apenas uma pequena parcela da dose chega à circulação sanguínea. A diferença na frequência de administração também precisa ser considerada na escolha do tratamento. Enquanto o comprimido deve ser utilizado diariamente, a versão injetável é aplicada uma vez por semana. A decisão depende da rotina, das preferências e das condições clínicas de cada paciente, incluindo horários de alimentação e uso de outros medicamentos. A eventual substituição da apresentação injetável pela oral precisa ser planejada pelo médico, considerando a dose em utilização, a resposta clínica, os efeitos adversos e a capacidade de seguir as orientações de administração.
As dosagens das duas apresentações não são diretamente equivalentes em miligramas, pois a absorção oral é significativamente inferior à da aplicação subcutânea. Assim, os 25 miligramas diários da versão oral não representam necessariamente maior potência que os 2,4 miligramas semanais da formulação injetável. O momento da transição e a dosagem devem seguir a bula aprovada no Brasil e a avaliação individual. Não é recomendado presumir que todos os pacientes possam iniciar diretamente a maior dose oral ou utilizar simultaneamente as duas apresentações. Após a mudança, o acompanhamento deve considerar a evolução do peso, o apetite, os efeitos gastrointestinais e o controle de doenças associadas.
O estudo OASIS 4, principal pesquisa que fundamentou a aprovação da Anvisa, não avaliou especificamente a substituição da semaglutida injetável pelo comprimido. Dessa forma, os resultados clínicos observados no estudo não garantem a manutenção da mesma resposta terapêutica após a troca de apresentação. Entre os efeitos adversos mais frequentes estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal. No estudo OASIS 4, eventos gastrointestinais foram registrados em 74% dos participantes tratados com semaglutida oral, ante 42,2% daqueles que receberam placebo. Em geral, as ocorrências foram classificadas como leves ou moderadas. Também exigem atenção complicações menos frequentes, mas potencialmente graves, como pancreatite, problemas na vesícula biliar e desidratação. O risco de hipoglicemia merece cuidado adicional em pacientes que utilizam simultaneamente insulina ou medicamentos da classe das sulfonilureias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.