06/Nov/2026
A China condiciona a ampliação das compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos ao cumprimento integral do acordo recíproco de redução tarifária, estruturado em US$ 30 bilhões de cada lado. A posição foi apresentada pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom). A manifestação ocorreu após os desdobramentos da reunião entre o representante de comércio internacional da China, Li Chenggang, e uma delegação do setor agropecuário norte-americano, realizada no início da semana. O governo chinês mantém disposição para ampliar as aquisições de produtos agrícolas dos Estados Unidos, desde que o governo norte-americano também contribua para a redução de tarifas adicionais, a diminuição de barreiras não tarifárias e a ampliação do acesso ao mercado. Dessa forma, a China vincula o avanço dos compromissos comerciais à implementação das concessões previstas no entendimento bilateral.
O acordo, denominado marco 30 por 30, prevê a eliminação de sobretaxas retaliatórias em mais de 90% dos itens contemplados, tendo como referência o fluxo comercial registrado em 2024. Do lado chinês, o alívio tarifário abrange milho, trigo, sorgo, carnes bovina, suína e de frango, além de derivados de leite, óleo e farelo de soja. A soja em grão, entretanto, permaneceu fora do pacote de isenção. O produto continua sujeito à tarifa de 3% da cláusula da Nação Mais Favorecida (NMF), acrescida de uma sobretaxa retaliatória de 10%. A manutenção dessas alíquotas preserva uma desvantagem competitiva para o grão norte-americano em relação à soja fornecida por países concorrentes, especialmente em um mercado no qual as condições de acesso tarifário influenciam a origem das compras chinesas.
No âmbito dos compromissos de aquisição, documento oficial divulgado em maio estabeleceu que a China concordou em comprar pelo menos US$ 17 bilhões anuais em commodities agrícolas dos Estados Unidos entre 2026 e 2028. Esse volume deve ser somado às metas de compras estabelecidas no fim de 2025. Para monitorar os fluxos comerciais e propor revisões periódicas nas listas de produtos, foi criado um Conselho de Comércio bilateral. O órgão é liderado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pelo representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. A estrutura também prevê um Grupo de Trabalho de Agricultura, com reunião programada até o fim de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.