05/Nov/2026
O dólar recuou 0,65% frente ao Real nesta quarta-feira (04/11), para R$ 5,45, após avançar nos três pregões anteriores e alcançar, na véspera, o maior nível de fechamento do ano. O movimento acompanhou o enfraquecimento global da moeda norte-americana, em meio à avaliação de que a vitória do Partido Democrata nas eleições parlamentares de meio de mandato nos Estados Unidos poderá limitar o voluntarismo do presidente Donald Trump e abrir espaço para o encerramento do conflito contra o Irã. Apesar do alívio no mercado internacional, o Real apresentou valorização inferior à de outras moedas emergentes. A cautela dos investidores em relação aos próximos passos da política econômica do governo Lula 4 e à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) limitou a recuperação da divisa brasileira. A queda superior a 8% dos preços do petróleo, embora desfavorável aos termos de troca do País, também contribuiu para reduzir a percepção de risco e pressionar o dólar para baixo.
Depois de registrar uma alta pontual, quando atingiu a máxima de R$ 5,49, a moeda norte-americana se firmou em terreno negativo nas últimas horas de negociação. Com o resultado, o dólar acumulou alta de 0,14% nos três primeiros pregões de novembro, após valorização de 9,04% na última semana de outubro, a maior alta semanal desde outubro de 2008, no auge da crise financeira global. A decisão do Copom ganhou relevância adicional diante do debate sobre a proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, de conter o crescimento do endividamento público por meio de uma forte redução da taxa Selic. A proposta já foi descartada pelo atual ministro da Fazenda, Dario Durigan. Uma eventual continuidade dos cortes de juros, em um cenário de dólar elevado e deterioração das expectativas de inflação, poderia surpreender negativamente o mercado.
A expectativa é de que o Banco Central adote uma pausa no ciclo de redução da Selic, diante das dúvidas sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá fazer um pronunciamento em cadeia nacional neste fim de semana para reforçar o compromisso com o cumprimento das metas fiscais, mesmo diante da intenção de executar promessas de campanha que implicam aumento de gastos. A sinalização pode ter contribuído para aproximar o dólar das mínimas da sessão. A cautela, contudo, continuou predominante, com os investidores à espera de medidas concretas de ajuste fiscal e da definição do nome do próximo ministro da Fazenda. Esse cenário impediu uma recuperação mais expressiva do real e contribuiu para o desempenho inferior ao de outras moedas emergentes. Os dados de fluxo cambial divulgados pelo Banco Central também entraram no radar.
O saldo foi positivo em US$ 4,498 bilhões na semana passada, resultado de entradas líquidas de US$ 6,427 bilhões pelo segmento comercial e de US$ 3,070 bilhões pelo canal financeiro. Os números do comércio exterior indicam que exportadores aproveitaram a forte desvalorização cambial para internalizar recursos. O resultado positivo do canal financeiro pode ter refletido, ao menos parcialmente, o interesse de investidores estrangeiros em aproveitar a queda dos preços dos ativos domésticos. A forte depreciação do Real na semana anterior esteve relacionada principalmente ao aumento dos prêmios de risco, à desmontagem de posições compradas na moeda brasileira no mercado de derivativos da B3 e à maior demanda por proteção cambial. A evolução das expectativas fiscais, a definição da equipe econômica e a decisão do Copom devem continuar influenciando o comportamento do câmbio nos próximos pregões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.