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05/Nov/2026

EUA: Donald Trump sofre expressiva derrota eleitoral

O Partido Democrata impôs uma expressiva derrota ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições legislativas do dia 3 de novembro, ao conquistar o controle da Câmara dos Deputados e do Senado. O resultado deverá limitar a capacidade do governo de aprovar sua agenda nos dois anos restantes do mandato, além de ampliar o poder de fiscalização do Congresso sobre a administração republicana. A totalização dos votos ainda depende da conclusão da apuração em alguns Estados, especialmente no Alasca, e de eventuais recontagens, mas os resultados preliminares já indicam uma mudança significativa na composição do Legislativo norte-americano. No Senado, os democratas avançaram em Estados tradicionalmente republicanos ou que haviam demonstrado forte apoio a Trump nos últimos anos. Em Kansas, onde o presidente venceu por 16% em 2024, o democrata Adam Hamilton derrotou o republicano e aliado de Trump, Mike Collins, com vantagem superior a 5%, uma reversão de mais de 20% em dois anos.

No Texas, o democrata James Talarico também obteve vitória expressiva sobre o republicano Ken Paxton, aliado de Trump. Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrew derrotou Darline Graham, candidata apoiada por Trump. Outras vitórias democratas ocorreram em Ohio e Michigan. As projeções indicam que a bancada democrata no Senado poderá passar de 47 para aproximadamente 53 a 55 cadeiras, embora o resultado definitivo dependa da apuração no Alasca e em outros estados da Costa Oeste. A ampliação da representação dará ao partido maior capacidade de bloquear indicações para cargos do governo e para o Judiciário, inclusive para a Suprema Corte, além de dificultar a aprovação de medidas contra a imigração, propostas orçamentárias e reduções de impostos defendidas pelos republicanos. Na Flórida, entretanto, os democratas sofreram uma derrota apertada, com Angie Nixon perdendo para a republicana Ashley Moody por uma diferença de apenas 2%. Na Câmara dos Deputados, a derrota republicana também foi expressiva, apesar das mudanças nos distritos eleitorais realizadas no ano anterior para ampliar a representação de aliados de Trump.

As projeções apontam que os democratas poderão conquistar entre 40 e 60 cadeiras adicionais após a conclusão da apuração. Na Flórida, o democrata Jared Moskowitz venceu o republicano Scott Singer por 5%, mesmo após ter sido transferido para um distrito tradicionalmente republicano em consequência do redesenho eleitoral. Com o controle da Câmara, os democratas terão domínio sobre as comissões parlamentares e poderão ampliar investigações sobre contratos governamentais, integrantes da administração e aliados do presidente. Entre os possíveis alvos está o empresário Elon Musk, envolvido em iniciativas de redução de funcionários de agências federais, contratos com o Pentágono e mudanças em estruturas de fiscalização de suas empresas. A perspectiva de investigações levou Trump a mencionar a possibilidade de conceder perdões preventivos a aliados e integrantes do governo. A medida, entretanto, não impediria a abertura de inquéritos parlamentares, a convocação de testemunhas, a exigência de documentos e a realização de audiências públicas.

Os democratas também avançaram nas eleições estaduais. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms derrotou o republicano Rick Jackson e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora do Estado, tradicionalmente controlado pelos republicanos desde 2003. Na Pensilvânia, o democrata Josh Shapiro conquistou a reeleição com ampla vantagem e aparece entre os possíveis nomes do partido para a disputa presidencial de 2028. O senador Jon Ossoff, reeleito na Geórgia, igualmente ganhou projeção nacional e passou a ser considerado um potencial pré-candidato democrata à Presidência. A campanha eleitoral mobilizou aproximadamente US$ 1,2 bilhão entre março e novembro, considerando as eleições primárias e as disputas pelos diversos cargos públicos nos Estados Unidos. O maior doador individual foi Elon Musk, que destinou US$ 474 milhões para apoiar candidatos republicanos, incluindo US$ 224 milhões no Texas, onde o candidato apoiado por Trump acabou derrotado. O resultado representa um revés político para o presidente e reduz a margem de atuação da administração republicana no restante do mandato. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.