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04/Nov/2026

Dólar avança com preocupação fiscal doméstica

O dólar fechou em alta de 0,74% nesta terça-feira (03/11), a R$ 5,48, em sessão marcada pela cautela dos investidores diante de preocupações com a agenda econômica do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mercado doméstico voltou a registrar perdas após o feriado de Finados (02/11), em continuidade ao movimento de aversão ao risco observado na semana anterior, na esteira do resultado das eleições. A pressão sobre o Real foi intensificada por notícias sobre uma possível reunião entre Lula e o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Resende publicou recentemente uma proposta de novo regime monetário que prevê a redução gradual e programada da taxa Selic, com o objetivo de diminuir a dívida pública e ajustar as contas do governo sem cortes expressivos de despesas.

A proposta também contempla a utilização de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o Real. As possibilidades apresentadas pelo economista provocaram preocupação entre investidores, diante da avaliação de que medidas dessa natureza poderiam produzir efeitos contrários aos pretendidos, com aumento das pressões inflacionárias e riscos para as reservas internacionais. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a proposta como deficiente e indicou que ela não integra as discussões do governo, reiterando a defesa de um ajuste fiscal gradual. Durigan também informou que ainda não havia conversado com Lula sobre novas indicações para o Banco Central, mas sinalizou que as nomeações de diretores deverão seguir critérios técnicos e contemplar diferentes perfis.

O mercado também ajustou posições antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para esta quarta-feira (04/11). A reação negativa dos ativos brasileiros após a reeleição de Lula elevou as incertezas sobre a trajetória dos juros e as perspectivas de crédito mais barato, colocando o Banco Central diante do desafio de equilibrar os riscos inflacionários com o custo elevado do financiamento. A pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central mostrou que os economistas mantiveram a expectativa de redução de 0,25% da Selic na reunião do Copom, mas elevaram a projeção para a taxa no fim do ano de 13,25% para 13,50%. Entre os fatores que poderiam limitar a pressão sobre o câmbio, foram apontados a adoção da bandeira amarela nas tarifas de energia elétrica e a perda de fôlego da atividade econômica, elementos com potencial de contribuir para uma trajetória mais moderada da inflação.

Ainda assim, o Real apresentou um dos piores desempenhos entre as principais moedas globais, com resultado inferior apenas ao do peso mexicano. No exterior, o dólar avançou frente à maioria das divisas, enquanto os investidores acompanhavam as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem alterar o controle do Congresso. No mercado de apostas Polymarket, a probabilidade atribuída à conquista do controle das duas Casas legislativas pelos democratas estava próxima de 77%. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,13%, a 101,850 pontos, às 17h35. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.