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04/Nov/2026

Ministério da Agricultura: PSD articula permanência

As articulações para a composição dos ministérios e dos cargos ligados ao setor agrícola no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começaram a ganhar força em Brasília. A definição do comando do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), porém, dependerá das negociações políticas mais amplas do Executivo com o Congresso Nacional e os partidos do Centrão, em busca de apoio para garantir a governabilidade a partir de 2027. O PSD, responsável pelas indicações dos ministros da Agricultura no atual governo, poderá manter o comando da Pasta. Apesar de o partido ter apresentado divisões durante as eleições, com candidatura própria de Ronaldo Caiado e posterior alinhamento de integrantes à candidatura de Flávio Bolsonaro, não houve debandada generalizada nem anúncio de apoio oficial ao candidato derrotado. Essa postura pode fortalecer a sigla nas negociações com o governo.

Nesse cenário, ganha força a possibilidade de permanência do atual ministro, André de Paula. Embora não tenha ligação direta com o setor agropecuário, ele conta com a simpatia de lideranças da área, que reconhecem sua capacidade de articulação política e abertura ao diálogo. Seu perfil é considerado compatível com a estratégia do governo de reduzir resistências no agronegócio e recompor relações políticas. O ministro também teria apoio da bancada do PSD na Câmara dos Deputados e do líder do partido, deputado federal Antônio Brito (BA). Caso permaneça no cargo, André de Paula pretende ter autonomia para substituir secretários e formar sua própria equipe. Quando deixou o Ministério da Pesca para assumir a Agricultura, em abril, recebeu uma estrutura com diversos integrantes indicados pelo antecessor, Carlos Fávaro, em posições estratégicas. A possibilidade de reorganizar a Pasta poderia facilitar a aproximação com o setor e a construção de uma identidade própria para sua gestão.

Fávaro, também do PSD, articula um possível retorno ao governo após não conseguir a reeleição ao Senado por Mato Grosso. O mandato termina em janeiro, mas lideranças políticas avaliam que são reduzidas as chances de ele reassumir o Ministério da Agricultura. Uma eventual indicação para outro cargo na área agropecuária, possivelmente no segundo escalão, é considerada mais provável. O ex-ministro não teria apoio suficiente dentro do partido e dificilmente seria contemplado em uma cota pessoal do presidente Lula. Outro nome em movimentação é Carlos Augustin, empresário do setor de sementes e ex-assessor especial de Fávaro. Ele busca apoio de entidades do agronegócio para disputar o comando da Pasta e articula sua indicação por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin, seu correligionário no PSB. Augustin foi filiado ao PT e migrou para o PSB para integrar, como suplente, a chapa de Pedro Taques na disputa pelo Senado em Mato Grosso, mas não foi eleito.

Apesar da movimentação, interlocutores avaliam que lhe falta densidade política para viabilizar a indicação. O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) também procura fortalecer sua candidatura ao ministério. Ex-secretário de Agricultura de Geraldo Alckmin no governo paulista, entre 2015 e 2018, é reconhecido pela capacidade de diálogo com diferentes correntes políticas, característica considerada relevante para o futuro titular da Pasta. Como fator desfavorável, pesa sua participação no apoio da bancada ruralista, da qual é vice-presidente, à candidatura de Flávio Bolsonaro, inclusive em caravanas realizadas no interior de São Paulo durante o segundo turno. A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, também passou a ser considerada nas articulações. Elogiada pelo perfil técnico e pela capacidade de interlocução dentro do governo e com representantes do setor, ela tem espaço tanto para permanecer no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) quanto para uma eventual transferência à Agricultura.

A possibilidade de migração teria sido defendida pela presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, junto a aliados, embora seja considerada menos provável. Entidades ligadas à agricultura familiar defendem a permanência de Machiaveli no MDA. A ministra teve participação ativa na campanha de reeleição de Lula, com atuação nas ruas e nas redes sociais, e ampliou sua proximidade com a primeira-dama, Janja. Historicamente, o ministério é comandado pelo PT. Embora Machiaveli não seja filiada ao partido, ela deverá se reunir nesta semana com representantes da legenda e de movimentos sociais do campo. Lula também poderá utilizar a composição ministerial para acomodar integrantes do PT que não conseguiram se eleger. Entre os nomes mencionados nas articulações estão Edegar Pretto, Paulo Pimenta e Patrus Ananias. A definição do futuro comando da Agricultura dependerá, portanto, do equilíbrio entre as demandas partidárias, a distribuição de espaços no governo e a estratégia de aproximação do Executivo com o agronegócio. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.