04/Nov/2026
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia cresceram 14,8% em valor nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre os dois blocos, iniciada em maio de 2026. As vendas somaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro, ante igual período de 2025. Em volume, os embarques aumentaram 8,1%, para 17,74 milhões de toneladas, ante 16,42 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ano anterior. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo complexo soja e pelas carnes, além de produtos apícolas, frutas e outros itens da pauta agropecuária. As exportações de carnes avançaram 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil para 272 mil toneladas.
As vendas de produtos apícolas, principalmente mel, registraram expansão de 367% em receita. O complexo soja, que reúne grãos, farelo e óleo, permaneceu como principal segmento das exportações brasileiras ao mercado europeu. As vendas aumentaram de US$ 3,12 bilhões entre maio e setembro de 2025 para US$ 4,19 bilhões no mesmo período de 2026, crescimento de 34,2% em valor e de 20,5% em volume. Considerando apenas a soja em grãos, a receita avançou 49% e a quantidade embarcada aumentou 35,1%. Outros segmentos também apresentaram desempenho positivo. Os produtos florestais registraram crescimento de 23% em valor, enquanto as frutas, incluindo nozes e castanhas, avançaram 15%. Os demais produtos de origem animal tiveram expansão de 55,5%.
Entre os produtos individuais, destacaram-se o abacate, com aumento de 421,2% nas exportações, para US$ 19,87 milhões, e o óleo de milho bruto, cujas vendas cresceram 266,3%, para US$ 129,35 milhões. No segmento cafeeiro, as exportações de café torrado para a União Europeia aumentaram 91,6% em valor e 116,5% em volume. As vendas de café solúvel cresceram 19% em receita e 38,2% em quantidade. Também houve avanço nos embarques de manga, com alta de 31,2% em valor, e de maçã, com expansão de 28,8%. O desempenho coincide com o início da aplicação das preferências tarifárias previstas no acordo comercial, em vigor provisório desde 1º de maio de 2026. Entre os produtos agropecuários brasileiros que já contam com reduções de tarifas estão café torrado, café solúvel e abacate. Para os cafés, a eliminação tarifária será gradual, com conclusão prevista para 2030.
No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base, também com liberalização completa prevista para 2030. O acordo estabelece ainda condições preferenciais de acesso ao mercado europeu para produtos como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Em determinadas categorias, os benefícios estão condicionados a cotas de importação, com volumes e condições específicos, enquanto a implementação das reduções tarifárias ocorrerá de forma gradual. Apesar da expansão comercial, o acesso ao mercado europeu continua condicionado ao cumprimento de exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Entre os principais desafios está a adequação das cadeias produtivas brasileiras às normas do bloco, incluindo o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que amplia as exigências de comprovação da origem dos produtos comercializados.
As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, aumento de 3,3% ante os US$ 1,62 bilhão registrados no mesmo período de 2025. Em volume, as compras cresceram 6,8%, para 617,9 mil toneladas. Com o avanço das exportações, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com o bloco europeu aumentou 17%, passando de US$ 9,01 bilhões nos cinco primeiros meses de 2025 para US$ 10,54 bilhões no mesmo intervalo de 2026. Assinado em 17 de janeiro, o acordo Mercosul-União Europeia conecta mercados que reúnem aproximadamente 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões. A aplicação provisória começou em maio de 2026, enquanto a entrada em vigor definitiva da parceria depende da conclusão dos procedimentos de aprovação e ratificação previstos para os dois blocos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.