04/Nov/2026
O tensionamento político entre Brasil e Argentina se intensificou em meio às suspeitas de que o governo de Javier Milei teria auxiliado a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial. Avaliações nos dois governos indicam que não há perspectiva de reaproximação política ou melhora no relacionamento público entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Milei. Lula foi reeleito para um quarto mandato, até 2030, enquanto o presidente argentino deverá disputar a reeleição em outubro de 2027. Diplomatas brasileiros e argentinos avaliam que a relação bilateral atravessa um momento de forte deterioração. No dia 29 de outubro, a encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, foi convocada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) para prestar esclarecimentos sobre a recente passagem de Flávio Bolsonaro pelo território argentino.
A convocação é um instrumento diplomático utilizado para manifestar descontentamento de um país com uma atitude de outro. A deterioração se intensificou em agosto, quando Milei participou de um ato de campanha de Flávio Bolsonaro e fez críticas ao presidente Lula. Na ocasião, o governo brasileiro rebaixou o nível das relações diplomáticas para encarregado de negócios, e o embaixador argentino Guillermo Daniel Raimondi deixou o Brasil. Após a vitória de Lula, Milei permanece como o único líder sul-americano que ainda não se manifestou publicamente para cumprimentar o presidente brasileiro e justifica a ausência de comunicado com o argumento de que Lula também não parabenizou Milei por sua vitória eleitoral em 2023, invocando o princípio da reciprocidade. Apesar do distanciamento entre os presidentes, os contatos entre os níveis diplomáticos intermediários seguem funcionando.
As autoridades dos dois países indicam que a tensão política não comprometeu, até o momento, o comércio bilateral, os investimentos ou as negociações sanitárias. Entre janeiro e setembro deste ano, a corrente de comércio entre Brasil e Argentina superou US$ 21,535 bilhões. As tratativas técnicas também continuam em andamento, e os países mantêm alinhamento em temas relacionados ao comércio sul-americano. A avaliação compartilhada é de que as atividades econômicas e diplomáticas de caráter técnico permanecem sem alterações relevantes. Entretanto, a ausência de maior disposição política entre os governos pode dificultar avanços em agendas mais amplas e multilaterais, especialmente nas iniciativas voltadas ao fortalecimento do Mercosul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.