03/Nov/2026
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a desaceleração do mercado de trabalho brasileiro deve se intensificar nos próximos meses, diante da perspectiva de menor crescimento econômico, manutenção dos juros em patamar elevado e reversão do impulso fiscal. Apesar de a taxa de desemprego ter recuado para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor nível para esse período desde o início da série histórica, em 2012, o resultado não indica uma aceleração expressiva na geração de vagas. No trimestre encerrado em setembro, a população desocupada somou 5,6 milhões de pessoas, queda de 4% em relação ao trimestre anterior, equivalente a 234 mil pessoas. Na comparação com igual período de 2025, a redução foi de 6,9%, ou 417 mil pessoas. A população ocupada alcançou 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012.
O avanço foi de 0,6% na comparação trimestral, com acréscimo de 581 mil trabalhadores. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, houve crescimento de 1,2%, equivalente a 1,2 milhão de pessoas. O ritmo de expansão da ocupação evidencia a perda gradual de dinamismo do mercado de trabalho. A taxa de crescimento da população ocupada, que chegou a superar 2,5% há dois anos, recuou para 1,2%. A projeção é de aumento da taxa de desemprego ao longo de 2027, mas o indicador não deverá voltar a dois dígitos, mesmo em um cenário de desaceleração da economia. A taxa com ajuste sazonal já se encontra em nível muito baixo, o que reduz a possibilidade de novos recordes de queda nos próximos meses e aponta para uma reversão gradual. Um dos fatores que devem contribuir para a moderação da atividade é a reversão do impulso fiscal observado ao longo de 2026. A expansão fiscal ajudou a sustentar o aquecimento da economia, em um ambiente de inflação resistente e desemprego reduzido.
A expectativa é de que esse estímulo seja revertido ao longo de 2027, contribuindo para a desaceleração do mercado de trabalho. A manutenção dos juros em patamar elevado e a perspectiva de ajuste fiscal também devem limitar a geração de empregos. Destaque para influência da política monetária sobre a atividade econômica e aponta incertezas em relação à condução das contas públicas. As expectativas do mercado sofreram alterações após o resultado da eleição presidencial e, na avaliação do economista, a definição das perspectivas para a política fiscal dependerá da comunicação do governo sobre seu compromisso com medidas de ajuste. Esse cenário poderá levar o Banco Central a reduzir o ritmo de cortes da taxa básica de juros ou até interromper o ciclo de queda, com efeitos sobre o crescimento econômico e o mercado de trabalho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.