ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

28/Oct/2026

Dólar fecha em baixa com movimento de correção

O dólar recuou 0,97% frente ao Real nesta terça-feira (27/10), para R$ 5,35, em movimento de correção e ajuste de posições após a valorização de 8,21% registrada no pregão anterior, a maior alta percentual diária desde janeiro de 1999. A disparada ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resultado que surpreendeu investidores posicionados majoritariamente para uma vitória de Flávio Bolsonaro. Apesar do aumento da percepção de risco associado às incertezas sobre a condução da política fiscal no novo mandato, operadores avaliaram que fatores técnicos tiveram peso relevante na alta da moeda norte-americana na sessão anterior. O movimento refletiu o desmonte de posições que apostavam em um resultado eleitoral favorável à oposição, além da entrada de recursos no País por parte de exportadores.

Os preços dos ativos brasileiros já incorporaram a reeleição de Lula e foram desfeitas apostas consideradas muito otimistas sobre a possibilidade de a oposição conquistar a Presidência. O mercado busca uma acomodação após o ajuste inicial, enquanto mantém a expectativa de mudanças na política fiscal. A composição do Senado, com forte presença da oposição, também integra as avaliações sobre a governabilidade no novo mandato. Depois de oscilar próximo de R$ 5,34, o dólar chegou a recuar até R$ 5,30, quando se aproximou do rompimento do piso de R$ 5,30. A moeda encerrou a R$ 5,35, em sentido contrário ao movimento no exterior. Em outubro, acumula valorização de 3,39%, mas registra queda de 2,52% em 2026. Entre as moedas latino-americanas, apenas o Real e o peso colombiano, com ganhos superiores a 15% no ano, apresentam desempenho positivo no período.

O Commerzbank considera possível a continuidade do movimento de correção nos próximos dias, à medida que os investidores assimilam o resultado eleitoral. No horizonte de médio prazo, a trajetória cambial dependerá, entre outros fatores, da capacidade do governo de implementar ajustes fiscais considerados consistentes e avançar em reformas. O banco mantém a projeção de dólar a R$ 5,20 até o fim de 2026. No campo fiscal, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou que o governo trabalha na proposta de um projeto de lei complementar (PLP) para estabelecer juridicamente o compromisso de buscar o centro da meta de resultado primário. A iniciativa é apresentada como um sinal de compromisso com a disciplina fiscal e poderá influenciar a avaliação dos investidores sobre a condução das contas públicas.

O banco norte-americano BBH destacou que, diante de um Congresso de perfil mais conservador, o governo Lula precisará do apoio de partidos de centro para aprovar projetos no Parlamento. Essa configuração tende a limitar o espaço para novas medidas de expansão fiscal. Ao mesmo tempo, o diferencial de juros favorável ao Brasil, conhecido como ‘carry trade’, e a exposição estratégica do País a commodities relacionadas à energia, à inteligência artificial e à defesa continuam sendo fatores estruturais de sustentação do Real. No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,35%, aos 102,311 pontos. A expectativa predominante era de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) mantivesse os juros na faixa vigente na reunião de 28 de outubro, mas sinalizasse a possibilidade de voltar a apertar a política monetária em dezembro. A perspectiva para os juros norte-americanos permanece como um dos fatores externos relevantes para o comportamento do dólar e dos fluxos de capital. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.