27/Oct/2026
O dólar disparou nesta segunda-feira (26/10), e encerrou em alta de 8,21%, a R$ 5,40, após alcançar R$ 5,60. A moeda norte-americana atingiu o maior nível de fechamento desde 5 de janeiro, quando terminou a R$ 5,40, em meio ao aumento dos prêmios de risco fiscal e político após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. O avanço diário foi o mais intenso desde 13 de janeiro de 1999, quando o Brasil adotou o regime de bandas cambiais. Em outubro, o dólar passou a acumular alta de 4,40%, embora ainda registre queda de 1,57% no ano. A cotação superou R$ 5,60 nas primeiras horas de negociação, refletindo a reversão de posições montadas diante do favoritismo de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A expectativa de vitória havia ganhado força após a dianteira surpreendente no primeiro turno e a liderança numérica nas pesquisas de intenção de voto. Depois, a moeda perdeu parte da valorização, em um movimento associado à realização de lucros e à provável entrada de recursos de exportadores, que aproveitaram a alta cambial para internalizar divisas.
Apesar da forte oscilação, o mercado não registrou os problemas de liquidez observados em episódios anteriores de estresse. O fluxo de exportadores contribuiu para reduzir a pressão sobre a taxa de câmbio, enquanto o contrato futuro de dólar para novembro apresentou giro superior a US$ 31 bilhões. Diante da intensidade dos movimentos, a B3 elevou duas vezes o limite superior de negociação do contrato futuro: de 6% para 8,4%, antes da abertura do pregão regular, e de 8,4% para 12%. Embora a volatilidade tenha sido elevada, a avaliação predominante foi de que não houve escassez de liquidez nem disfuncionalidades que justificassem uma intervenção do Banco Central por meio de venda de dólares à vista ou oferta de swaps cambiais. O Tesouro Nacional, por sua vez, atuou na recompra de títulos públicos, operação que pode ter contribuído para a acomodação do câmbio. A comparação com o episódio conhecido como Joesley Day, em 18 de maio de 2017, reforçou a percepção de que, apesar da magnitude da alta, o mercado continuou funcionando.
Naquela ocasião, a delação premiada do empresário Joesley Batista provocou uma crise no governo Michel Temer e levou o dólar a subir mais de 8% em um único dia. O Wells Fargo avaliou que a reação inicial ao resultado eleitoral foi exagerada e ampliou sua posição vendida em dólar contra o Real, apostando em uma correção da cotação para R$ 5,30. Esse nível corresponde à estimativa de preço justo da instituição diante da reeleição de Lula. A estratégia considera a possibilidade de um ajuste fiscal suficiente no início do novo mandato e a indicação de um novo ministro da Fazenda capaz de transmitir uma sinalização favorável aos investidores. O cenário fiscal e a composição da equipe econômica passaram a concentrar a atenção dos agentes financeiros. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o governo poderá promover mudanças na legislação ou até na Constituição para buscar o centro da meta fiscal ainda neste ano.
Entre os nomes cogitados para assumir a Pasta no próximo mandato, circularam o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin. Fonteles, entretanto, afastou a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda. A eventual indicação de Fonteles seria bem recebida por parte dos investidores, diante da avaliação positiva de sua atuação no governo do Piauí. A reação do mercado, contudo, dependerá também do grau de autonomia concedido ao futuro ministro para conduzir ajustes na política fiscal. Assim, a trajetória do dólar nos próximos meses estará condicionada às sinalizações do governo sobre controle das contas públicas, composição da equipe econômica e medidas capazes de reduzir as incertezas fiscais e políticas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.