27/Oct/2026
Segundo a Farsul, os preços recebidos pelos produtores rurais do Rio Grande do Sul registraram forte elevação em setembro. O Índice de Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) subiu 7,54% em relação a agosto, na quarta alta mensal consecutiva e na maior variação desde fevereiro de 2022. A soja foi o principal fator de sustentação do indicador, com valorização de 8,7% no mês, quase quatro vezes acima do padrão sazonal para o período. Com o avanço, os preços da oleaginosa atingiram o maior nível desde abril de 2023. O arroz também manteve trajetória de alta, com valorização de 8,4% em setembro e acumulado de 52,4% no ano. A sustentação das cotações do cereal está associada à projeção de redução de 36% nos estoques brasileiros na próxima safra. Na direção oposta, o boi gordo registrou queda de 3,3%, atribuída a fatores sazonais do mercado pecuário. Com o resultado de setembro, o IIPR acumulou alta de 16,29% em 2026. Em 12 meses, a variação passou de 4,05% em agosto para 13,73% em setembro, refletindo a aceleração recente dos preços recebidos pelos produtores rurais.
Apesar de o avanço do IIPR em 12 meses superar a inflação geral medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,58%, e a inflação do grupo Alimentação e Bebidas, de 4,66%, a Assessoria Econômica da Farsul ressalta a importância de considerar um horizonte mais longo para avaliar o comportamento dos preços agrícolas. Nos últimos dois anos, os preços recebidos pelos produtores rurais permaneceram praticamente estáveis, com variação de apenas 0,7%, enquanto os preços dos alimentos ao consumidor final aumentaram 11,6% no mesmo período. Nesse contexto, a valorização recente representa uma recomposição de perdas acumuladas pelo setor produtivo, e não o início de um novo ciclo inflacionário originado no campo. Do lado dos custos de produção, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) avançou 1,44% em setembro, registrando a maior alta mensal desde abril. A variação acumulada em 12 meses praticamente dobrou, passando de 1,65% em agosto para 3,35% em setembro.
No acumulado de 2026, o índice atingiu 5,13%, indicando intensificação das pressões sobre as despesas dos produtores. Os fertilizantes permaneceram como o principal vetor de alta dos custos, com aumento de 3,9% em setembro e participação superior à metade da variação positiva do IICP no mês. No acumulado do ano, o insumo responde por uma elevação superior à inflação total dos custos de produção. Parte dessa pressão foi compensada pela queda nos preços dos defensivos agrícolas. A elevação de 17% nas cotações internacionais do petróleo também pressionou o mercado brasileiro de combustíveis. No Rio Grande do Sul, o preço do diesel subiu 5,2% em setembro, influenciado pela defasagem em relação à paridade de importação e por restrições pontuais de oferta. O encarecimento do combustível foi transmitido aos serviços de frete, cujos custos aumentaram 4,1%, e às operações mecânicas nas propriedades rurais, com alta de 2,1%. O avanço simultâneo dos preços recebidos e dos custos evidencia que a recomposição da receita agrícola ocorre em um cenário de pressão sobre despesas essenciais à produção e à logística. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.