22/Oct/2026
Após três sessões consecutivas de queda, nas quais recuou 1,33% e se aproximou do patamar inferior a R$ 5,00, o dólar registrou leve alta nesta quarta-feira (21/10). A disputa eleitoral acirrada às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, combinada com um ambiente externo desfavorável às moedas latino-americanas, favoreceu ajustes nas posições e realização de lucros. A incerteza sobre o resultado eleitoral tem limitado o movimento de baixa da moeda norte-americana. O dólar atingiu a máxima de R$ 5,04 e encerrou a sessão em alta de 0,18%, a R$ 5,02. Apesar da recuperação na sessão, a moeda acumula queda de 0,90% na semana e de 2,84% em outubro, ampliando a desvalorização no ano para 8,40%. No cenário eleitoral, a pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro apontou recuo das intenções de voto em Flávio Bolsonaro (PL). Os candidatos estão em empate técnico.
Os investidores estão cautelosos. O comportamento recente do dólar tem sido caracterizado por relativa estabilidade pouco acima de R$ 5,00, em um movimento de lateralização. Além das incertezas eleitorais, a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) representa um fator desfavorável às moedas de economias emergentes, ao aumentar a atratividade relativa dos ativos norte-americanos. Apesar da relativa estabilidade recente, indicadores de volatilidade implícita estão nos níveis mais elevados desde a crise financeira de 2028. Esse cenário sugere a possibilidade de oscilações mais intensas após o segundo turno presidencial, com variação cambial estimada em 2,5%, tanto para cima quanto para baixo, equivalente a um movimento de R$ 0,10 a R$ 0,12.
A manutenção do atual governo já estaria parcialmente incorporada aos preços, enquanto uma eventual alternância de poder poderia provocar maior reação positiva dos investidores e pressionar o dólar para baixo. Não há, nessa avaliação, expectativa necessária de disparada da moeda em caso de reeleição de Lula. Os dados de fluxo cambial divulgados pelo Banco Central também mostraram entrada líquida de recursos no País. Na semana de 13 a 16 de outubro, o fluxo cambial total foi positivo em US$ 1,933 bilhão, resultado de entradas líquidas de US$ 1,889 bilhão pelo canal comercial e de US$ 44 milhões pelo segmento financeiro, que inclui investimentos em carteira. Na primeira semana após o primeiro turno, entre 5 e 9 de outubro, período marcado pela dianteira de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, o canal financeiro registrou entrada líquida de US$ 4,127 bilhões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.