22/Oct/2026
Segundo dados da Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro somaram 448 solicitações no segundo trimestre de 2026, queda de 20,7% em relação a igual período de 2025. O resultado interrompe a sequência de aumentos observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025, na série histórica consolidada pela empresa, iniciada em 2021. O levantamento reúne solicitações de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando foram registrados 474 pedidos, houve recuo de 5,5%. Apesar da redução, os dados não indicam necessariamente uma recuperação financeira estrutural do setor, que continua enfrentando custos elevados, maior seletividade na concessão de crédito e níveis elevados de endividamento.
A retração pode estar relacionada à sazonalidade das atividades agropecuárias, à entrada de receitas para parte dos produtores e ao avanço das renegociações com credores. A sustentabilidade desse movimento dependerá do comportamento dos pedidos nos próximos trimestres, enquanto a preservação do fluxo de caixa, o planejamento financeiro e a renegociação de dívidas permanecem importantes para a gestão financeira das empresas e propriedades rurais. Entre os produtores rurais pessoas físicas, foram contabilizados 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, queda de 10,5% em relação às 220 solicitações registradas em igual período do ano anterior. Apesar da redução, esse foi o maior volume entre os três perfis analisados. Na classificação por porte, produtores sem propriedades concentraram 70 pedidos, grupo que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos ligados à atividade rural.
Os grandes proprietários registraram 51 solicitações, seguidos pelos pequenos proprietários, com 39, e pelos médios proprietários, com 37. Entre os produtores rurais pessoas jurídicas, os pedidos de recuperação judicial recuaram 34,2% na comparação anual. Foram contabilizadas 160 solicitações entre abril e junho de 2026. O cultivo de soja liderou entre as atividades, com 70 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 28. Também figuraram entre os principais segmentos o cultivo de cana-de-açúcar, com 15 registros, o cultivo de café, com 13, e o cultivo de cereais, com 12. As empresas relacionadas à cadeia do agronegócio somaram 91 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, queda de 10,8% ante as 102 solicitações registradas no mesmo período de 2025. Os serviços de apoio à agropecuária concentraram 26 pedidos, seguidos pela agroindústria de transformação primária, com 20, e pelo comércio atacadista de produtos agropecuários primários, com 18.
Os revendedores de insumos agropecuários, exceto máquinas, registraram outras dez solicitações. Na distribuição regional, Mato Grosso liderou o número de pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, considerando produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e empresas ligadas à cadeia do agronegócio. O Estado registrou 107 solicitações, equivalentes a 23,9% do total nacional. Goiás ocupou a segunda posição, com 84 pedidos (18,8%), seguido por São Paulo, com 72 (16,1%), Minas Gerais, com 54 (12,1%), e Paraná, com 42 (9,4%). A redução dos pedidos no período representa uma desaceleração em relação aos trimestres anteriores, mas não elimina os riscos financeiros enfrentados pelo agronegócio. A combinação de endividamento, crédito mais restrito e custos elevados mantém a necessidade de acompanhamento dos indicadores de inadimplência e renegociação, especialmente para avaliar se a queda observada no segundo trimestre terá continuidade. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.