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22/Oct/2026

Brasil precisa ampliar a integração internacional

O Brasil mantém uma trajetória de crescimento econômico inferior à de países que ampliaram sua integração comercial, incorporaram conhecimento e tecnologia e elevaram a produtividade. Nas últimas décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita brasileiro foi superado pelo de economias que adotaram estratégias de maior abertura ao comércio internacional, enquanto o País permaneceu relativamente fechado e alternou períodos de crescimento modesto com décadas de estagnação. A Coreia do Sul é um dos principais exemplos dessa diferença de trajetória. Na década de 1960, o PIB per capita sul-coreano era inferior ao brasileiro, mas atualmente supera em mais de três vezes o indicador nacional, com US$ 36 mil ante US$ 10,7 mil, segundo o Banco Mundial. Enquanto o Brasil manteve a estratégia de substituição de importações, retomada em diferentes períodos apesar dos resultados limitados, a Coreia do Sul combinou abertura comercial com subsídios estatais direcionados a setores selecionados pelo governo para competir entre si.

Segundo estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) que comparou as políticas industriais dos dois países, esse modelo contribuiu para ampliar as habilidades dos trabalhadores e elevar a produtividade. O avanço econômico sul-coreano ocorreu paralelamente à ampliação da abertura comercial, medida pela relação entre a soma das exportações e importações e o PIB. Atualmente, o indicador alcança 86,4% do PIB na Coreia do Sul, acima da média mundial de 68,5% e quase três vezes superior à taxa brasileira, de 35,3%. A China também se destaca pela integração ao comércio internacional. A política de abertura iniciada no fim da década de 1970 permitiu ao país asiático ingressar gradualmente nas cadeias globais de valor e consolidar-se como a segunda maior economia do mundo em um período relativamente curto. Em contraste, o Brasil permaneceu menos conectado ao comércio internacional, com poucas exceções de alcance global, como a Embraer.

A produtividade do trabalhador brasileiro segue praticamente estagnada, limitando a capacidade de geração de riqueza, apesar das vantagens territoriais, populacionais e de disponibilidade de recursos naturais do País. A baixa valorização do capital humano contribui para o desperdício desse potencial econômico e para o adiamento de ganhos de prosperidade, mesmo diante de uma população historicamente marcada pela disposição para o trabalho. A necessidade de mudanças torna-se ainda mais evidente diante do avanço do protecionismo comercial promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O fortalecimento da presença de empresas brasileiras nas cadeias globais de produção pode ampliar a resiliência do País às barreiras comerciais e reduzir a exposição às oscilações das políticas protecionistas internacionais. Nesse contexto, a ampliação da abertura econômica exige medidas mais abrangentes, incluindo a facilitação da entrada de profissionais estrangeiros qualificados, estratégia adotada por países que alcançaram níveis elevados de desenvolvimento.

A redução das barreiras às importações também é considerada necessária para ampliar o acesso a bens de capital, tecnologias e equipamentos capazes de elevar a eficiência produtiva da economia brasileira. Outro desafio para o próximo governo será aumentar a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e outros ativos utilizados na produção de bens e serviços. Atualmente, a taxa brasileira permanece em torno de 16%, patamar considerado insuficiente para sustentar uma expansão mais consistente da capacidade produtiva. Economias com baixos níveis de investimento tendem a depender de equipamentos obsoletos, o que reduz a eficiência industrial e compromete a competitividade da produção nacional. A política industrial também precisa priorizar critérios que estimulem a competitividade internacional e a integração das empresas à economia doméstica.

Em artigo recente publicado no Valor Econômico, o economista Edmar Bacha defendeu a adoção do princípio da exportabilidade com encadeamento local, em substituição à tentativa de identificar antecipadamente os setores industriais que serão vencedores. A proposta consiste em direcionar incentivos e subsídios a empresas competitivas no mercado externo e que mantenham vínculos produtivos com a economia nacional, em vez de conceder benefícios indiscriminados a chamados campeões nacionais, cuja seleção nem sempre ocorre de forma transparente e impessoal. A implementação dessa agenda exigirá que o próximo governo enfrente interesses econômicos estabelecidos e assegure transparência na concessão e na retirada de incentivos setoriais. O desafio é ampliar a integração comercial, estimular os investimentos, modernizar a estrutura produtiva e elevar a produtividade. A urgência dessas medidas aumenta diante da desaceleração do crescimento populacional e do envelhecimento da sociedade brasileira, fatores que tornam os ganhos de eficiência cada vez mais importantes para sustentar o crescimento econômico e a geração de renda no longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.