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20/Oct/2026

Plano Safra 2026/27: crédito sustentável tem recuo

O crédito rural com potencial de promover ganhos de sustentabilidade na agropecuária somou R$ 17,5 bilhões no primeiro trimestre da safra 2026/27, queda de R$ 3,6 bilhões em relação aos R$ 21,1 bilhões registrados no mesmo período do ciclo anterior. Apesar da retração em valores absolutos, a participação desse tipo de financiamento no total de custeio e investimento aumentou de 22,8% para 26,3%, em um trimestre no qual as contratações totais de crédito rural recuaram 28,8%, conforme o boletim Crédito Rural em Jornada de Sustentabilidade, divulgado nesta segunda-feira (19/10) pela consultoria Agroicone. As contratações totais de crédito rural alcançaram R$ 80,7 bilhões no período, ante R$ 113,4 bilhões um ano antes, enquanto o número de operações diminuiu de 717 mil para 562 mil. A retração, inicialmente concentrada nos produtores não enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), também atingiu a agricultura familiar.

Os financiamentos pelo Pronaf passaram de R$ 23,9 bilhões para R$ 22,7 bilhões, conforme dados de 8 de outubro, sujeitos a alterações. Entre os produtores não familiares, as contratações no primeiro trimestre recuaram de R$ 140,9 bilhões em 2023/24 para R$ 58 bilhões. A Agroicone associa parte da retração à deterioração da carteira de crédito rural. Estudo da própria consultoria citado no boletim mostra que o saldo de operações problemáticas aumentou de R$ 34,1 bilhões em julho de 2023 para R$ 188,8 bilhões em abril de 2026. No mesmo intervalo, a inadimplência efetiva passou de R$ 3,8 bilhões para R$ 38,4 bilhões. O documento também aponta que produtores têm recorrido a recursos próprios ou deixado de amortizar parcelas de safras anteriores para direcionar recursos ao novo plantio, estratégia que pode ampliar o endividamento. A maior aversão ao risco também reduziu a disposição para conceder crédito e afetou o acesso a instrumentos de financiamento privado.

As emissões de Cédulas de Produto Rural (CPR) somaram R$ 50,3 bilhões no período, ante R$ 68,3 bilhões um ano antes. Do total de R$ 17,5 bilhões enquadrados como alinhados à sustentabilidade, R$ 12,4 bilhões foram destinados ao custeio, voltado às despesas da safra, ante R$ 14,2 bilhões no ciclo anterior. Os financiamentos para investimento totalizaram R$ 5,1 bilhões, em comparação com R$ 6,9 bilhões. Por atividade, a agricultura concentrou R$ 15,8 bilhões, ante R$ 19,1 bilhões, enquanto a pecuária recebeu R$ 1,7 bilhão, frente a R$ 2 bilhões. Mesmo com a redução do apetite por crédito, a carteira apresentou maior participação relativa de operações associadas a atributos socioambientais e climáticos. Entre os programas com finalidade sustentável, o Pronaf assumiu pela primeira vez a liderança da série analisada, com R$ 978,3 milhões, superando os R$ 974,8 milhões contratados pelo RenovAgro e pelas demais linhas destinadas a produtores não familiares. O Pronaf Bioeconomia respondeu por R$ 925 milhões.

As linhas sustentáveis do Pronaf registraram crescimento de R$ 129,1 milhões, enquanto as voltadas aos produtores não familiares recuaram R$ 725 milhões. A participação dessas linhas no total de investimentos aumentou 3,42% no Pronaf e 0,65% entre os produtores não familiares. Os chamados produtos associados, categoria em que basta um dos produtos incluídos no contrato ser classificado como sustentável para que toda a operação seja contabilizada, concentraram R$ 13,7 bilhões, equivalentes a 78,3% do total enquadrado. No custeio, a soja liderou com R$ 5,2 bilhões, seguida por milho e café, com R$ 2,1 bilhões cada. Entre as fontes de recursos, destacaram-se os Recursos Obrigatórios, que os bancos devem direcionar ao crédito rural, com R$ 5 bilhões; a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada com subvenção econômica, com R$ 4,5 bilhões; e o Fundo Constitucional do Nordeste, com R$ 1,9 bilhão. Regionalmente, o Rio Grande do Sul concentrou o maior volume de crédito enquadrado como alinhado à sustentabilidade, com R$ 4,5 bilhões.

Na sequência, apareceram Paraná, com R$ 2,2 bilhões; Minas Gerais, com R$ 2 bilhões; Espírito Santo, com R$ 1,4 bilhão; e Mato Grosso, com R$ 1,1 bilhão. A transição para uma agropecuária de baixa emissão de carbono e mais resiliente aos eventos climáticos exige investimentos elevados. Nesse contexto, a ausência de mecanismos adequados para mitigar os riscos de crédito e climático, como o seguro rural, e de alternativas viáveis para reestruturar o endividamento existente pode comprometer a capacidade de investimento dos produtores, conforme a avaliação da Agroicone. A consultoria ressalva que a metodologia utilizada não permite afirmar que os recursos classificados como alinhados à sustentabilidade tenham produzido resultados ambientais positivos, uma vez que não existe um processo de verificação dos efeitos efetivamente alcançados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.