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20/Oct/2026

Fim da escala 6x1: impactos em empresas do Agro

Segundo o BTG Pactual, o fim da escala de trabalho 6x1 pode pressionar os resultados de frigoríficos, usinas de açúcar e etanol e empresas de alimentos, com impacto potencial de dois dígitos sobre o lucro líquido de algumas companhias. A mudança na legislação trabalhista elevaria os custos operacionais, principalmente em setores intensivos em mão de obra e com menor capacidade de repassar despesas aos preços. Entre as empresas de proteínas analisadas, a MBRF apresenta a maior exposição operacional relativa, enquanto JBS e Minerva Foods têm impactos estimados menores em relação ao Ebitda. No segmento sucroenergético, São Martinho, Jalles Machado e Adecoagro estão entre as companhias mais suscetíveis aos efeitos da mudança. Na outra ponta, a Ambev apresenta a maior capacidade de absorção dos custos adicionais, favorecida por margens mais elevadas e maior poder de precificação. O relatório considera a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado, após aval da Câmara dos Deputados, e a previsão de dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial.

O texto também prevê a diminuição gradual da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais dois meses após a promulgação e para 40 horas após 12 meses. Embora os custos adicionais representem uma parcela relativamente pequena da receita das companhias, o efeito sobre os resultados pode ser significativo. As estimativas consideram a implementação integral das mudanças e são anualizadas com base nas projeções financeiras para 2027, não correspondendo aos desembolsos efetivamente previstos para aquele ano. No segmento de proteínas, o impacto anual estimado para a MBRF é de R$ 824 milhões, equivalente a 6,8% do Ebitda consolidado projetado para 2027. Para a JBS, o aumento de custos alcançaria R$ 1,03 bilhão, ou 3,2% do Ebitda, enquanto, para a Minerva Foods, a estimativa é de R$ 104 milhões, correspondentes a 2%.

A maior exposição relativa da MBRF está associada à participação mais elevada das operações de aves e suínos, consideradas mais intensivas em mão de obra do que o processamento de carne bovina. A JBS, por sua vez, conta com uma base de resultados internacionais mais diversificada, o que reduz o peso relativo do impacto estimado. O efeito sobre o lucro líquido também depende do endividamento de cada companhia. Assim, a exposição relativamente menor da Minerva em relação ao Ebitda não significa impacto desprezível sobre o resultado final. Além da elevação das despesas, a disponibilidade de trabalhadores pode se tornar um obstáculo adicional para os frigoríficos. A dificuldade de contratar funcionários em número suficiente para manter os cronogramas de produção pode limitar a capacidade operacional e dificultar a reorganização dos turnos.

O setor sucroenergético também está entre os mais expostos, em razão da intensidade de mão de obra, da complexidade operacional e da limitada capacidade de repassar custos adicionais aos preços das commodities. O BTG estima despesas anuais adicionais de R$ 193 milhões para a São Martinho, equivalentes a 5,1% do Ebitda consolidado projetado para 2027. Para a Jalles Machado, o impacto calculado é de R$ 48 milhões, ou 3,3% do Ebitda. Na Adecoagro, chega a R$ 104 milhões, correspondentes a 2,9%. Uma estimativa baseada apenas no aumento de 10% do custo por hora trabalhada seria excessivamente otimista para o segmento, segundo o banco. As usinas operam continuamente durante a safra e podem precisar contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de atividade após a reorganização dos turnos.

A folha de pagamento representa entre 12% e 15% da receita das empresas sucroenergéticas, a maior proporção entre os setores incluídos na análise, enquanto a disponibilidade de trabalhadores também pode limitar as operações. No caso da Adecoagro, a aquisição da Profertil deve diluir significativamente o impacto relativo dos custos adicionais sobre o resultado consolidado. Entre as empresas de alimentos e bebidas, a Ambev apresenta a menor exposição relativa. O BTG calcula aumento anual de custos de R$ 311 milhões, equivalente a 1% do Ebitda consolidado projetado para 2027 e a 1,2% do lucro líquido estimado, já considerado o benefício fiscal. Para compensar integralmente as despesas adicionais, a companhia precisaria elevar em apenas 0,5% os preços líquidos realizados, ajuste considerado viável diante das margens mais elevadas e do maior poder de precificação da cervejaria. Para a M. Dias Branco, o impacto estimado é de R$ 163 milhões, equivalente a 12,8% do Ebitda e a 15% do lucro líquido projetados para 2027. Na Camil, o aumento de custos chegaria a R$ 53 milhões, ou 4,5% do Ebitda e 12% do lucro líquido.

Embora os reajustes necessários para compensar as despesas sejam relativamente pequenos, de 1,5% para a M. Dias Branco e de 0,6% para a Camil, o ambiente competitivo pode dificultar o repasse aos consumidores. Na M. Dias Branco, a folha de pagamento exposta equivale a quase 15% da receita brasileira, patamar semelhante ao observado no setor sucroenergético. As empresas agrícolas e os fornecedores de insumos e serviços ao agronegócio tendem a apresentar efeitos diretos mais limitados. A produção de grãos geralmente exige menos trabalhadores em relação à receita e depende menos de operações industriais contínuas, embora a necessidade de mão de obra aumente durante o plantio e a colheita. O BTG estima custos anuais adicionais de R$ 71 milhões para a SLC Agrícola e de R$ 28 milhões para a 3tentos. Para Boa Safra e BrasilAgro, o impacto calculado é de aproximadamente R$ 8 milhões para cada companhia. Conforme a empresa, os valores correspondem a uma faixa de 1,6% a 2,8% do Ebitda consolidado projetado para 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.