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19/Oct/2026

Fim da escala 6x1: impacto inflacionário pontual

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a eventual pressão sobre os preços decorrente da aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, tende a ser pontual e restrita ao período de transição. A implementação da medida em duas etapas permitiria às empresas adaptar suas operações à redução das horas trabalhadas, por meio da contratação de novos funcionários, da reorganização de processos internos ou de investimentos em inovação. Os efeitos sobre os preços dependerão das estratégias adotadas pelas empresas para absorver os custos adicionais. Investimentos em tecnologia, gestão e organização da produção poderão elevar a produtividade e compensar parte dos custos decorrentes da redução da jornada.

Por outro lado, caso as empresas optem por repassar esses custos aos consumidores, poderá ocorrer pressão inflacionária. A redução da jornada também poderá gerar ganhos de produtividade ao ampliar o tempo de descanso e favorecer o engajamento dos trabalhadores, além de reduzir o absenteísmo associado a problemas de saúde. Embora parte das empresas possa precisar ampliar o quadro de funcionários, as contratações adicionais poderão contribuir para o aumento da massa salarial e do mercado consumidor, criando efeitos positivos sobre a atividade econômica. A mudança também poderá favorecer uma distribuição mais equilibrada da renda gerada no País, ampliando a parcela da riqueza apropriada pelos trabalhadores. Dessa forma, o impacto inflacionário dependerá principalmente da capacidade de adaptação das empresas, dos ganhos de produtividade e do grau de repasse dos custos adicionais aos preços finais.

Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o fim da escala de trabalho 6x1, com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, poderá elevar os custos do trabalho, pressionar a atividade econômica e ampliar a demanda empresarial por compensações do governo. A deterioração fiscal é um fator adicional de incerteza para o cenário econômico nos próximos anos. No curto prazo, a mudança poderá aumentar o custo da hora efetivamente trabalhada dos empregados formais, exigindo adaptações das empresas para manter suas operações. Os efeitos sobre o desempenho econômico dependerão das estratégias adotadas pelo setor produtivo e da capacidade de absorção dos custos adicionais. Em um contexto de restrições fiscais, a eventual necessidade de medidas compensatórias poderá ampliar as pressões sobre o orçamento público.

O aumento do custo unitário do trabalho decorreria da combinação de três medidas previstas na proposta: redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, inclusão de um dia adicional de descanso remunerado e manutenção da irredutibilidade salarial. Com a preservação dos salários e a diminuição das horas trabalhadas, o custo por hora tende a aumentar, embora a intensidade do impacto varie conforme o setor, a região, o porte das empresas e as condições de concorrência de cada mercado. As empresas poderão reagir de diferentes maneiras. Companhias com maior poder de mercado e capacidade de repasse poderão incorporar parte dos custos adicionais aos preços de produtos e serviços. Em segmentos mais competitivos, nos quais há menor margem para reajustes, as empresas poderão optar pela redução da escala operacional e dos volumes produzidos, com possíveis efeitos sobre a atividade econômica e a oferta de bens e serviços.

No longo prazo, o aumento dos custos poderá estimular mudanças na estrutura produtiva, incluindo a substituição de trabalhadores por mão de obra de menor custo ou por equipamentos e capital, conforme a viabilidade econômica de cada atividade. Também poderá haver maior recurso à informalidade e à contratação de prestadores de serviços como pessoas jurídicas, processo conhecido como pejotização. A dimensão dos efeitos dependerá, portanto, da capacidade de adaptação das empresas, das possibilidades de ganhos de produtividade, das condições de concorrência e do comportamento da demanda. A combinação entre custos trabalhistas mais elevados e restrições fiscais poderá ampliar as incertezas sobre os investimentos, o nível de produção e a dinâmica do mercado de trabalho no período de transição e nos anos seguintes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.