19/Oct/2026
Os preços favoráveis de energia, minerais e grãos, a reconfiguração das relações comerciais globais e a exposição relativamente limitada a conflitos geopolíticos têm favorecido os investimentos e a atividade econômica na maior parte da América do Sul. A avaliação consta do relatório “Panorama Econômico Regional - Hemisfério Ocidental”, do Fundo Monetário Internacional (FMI), que também destaca avanços nos marcos de políticas econômicas de alguns países como fatores de estímulo ao crescimento e de redução de vulnerabilidades. Os preços elevados das commodities devem continuar sustentando a atividade econômica de países sul-americanos, especialmente os exportadores de energia. Nesse grupo estão Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana e Venezuela, que podem se beneficiar das condições favoráveis nos mercados internacionais de petróleo, gás natural e outros produtos energéticos.
Em contrapartida, a alta dos preços da energia representa um obstáculo para as economias importadoras de petróleo, sobretudo nos países do Caribe. Nesses mercados, o encarecimento dos combustíveis pode elevar os custos de importação e pressionar as condições econômicas internas. Na maior parte da América do Sul, os preços favoráveis dos metais e dos produtos agrícolas também devem continuar contribuindo para o desempenho das exportações. Chile e Peru se destacam entre os países beneficiados pela valorização dos metais, enquanto os produtores e exportadores agrícolas da região podem obter sustentação adicional da demanda e dos preços internacionais dos grãos. O cenário combina oportunidades decorrentes das condições dos mercados de commodities com mudanças nos fluxos comerciais globais.
A continuidade desses fatores, associada ao aprimoramento das políticas econômicas nacionais em alguns países, poderá contribuir para sustentar o crescimento regional e reduzir vulnerabilidades, embora os efeitos variem conforme a estrutura produtiva e a dependência energética de cada economia. A economia da América Latina e do Caribe deve crescer 2,3% em 2026, após expansão de 2,5% em 2025. Para todo o Hemisfério Ocidental, a projeção é de crescimento de 2,2% neste ano, abaixo dos 2,4% registrados no ano anterior. O desempenho da região tem sido sustentado por condições financeiras internacionais favoráveis, demanda global elevada e preços positivos de commodities. Argentina e Equador registraram uma recuperação significativa em 2025, associada aos efeitos de reformas econômicas. Os preços de produtos como cobre, ouro, soja e petróleo contribuíram para melhorar os termos de troca de diversos países.
Chile e Peru estiveram entre os beneficiados pela valorização das commodities. Com a alta do petróleo após o início do conflito no Oriente Médio, os ganhos passaram a favorecer também exportadores de energia, como Canadá e Colômbia. Por outro lado, os preços mais elevados da energia pressionam os países importadores de petróleo, especialmente na América Central e no Caribe. A combinação de melhores termos de troca e condições financeiras mais flexíveis deve acrescentar cerca de 0,6% ao crescimento econômico regional em 2026, em comparação com 2025, considerando outros fatores. O relatório também ressalta que as incertezas relacionadas a tarifas comerciais e tensões geopolíticas podem limitar esse impulso. A preocupação com o cenário internacional tende a adiar decisões de investimento e aumentar a cautela de empresas e famílias. Apesar dos choques externos dos últimos anos, incluindo mudanças nas políticas comerciais e oscilações nos preços das commodities, o crescimento econômico permaneceu relativamente estável na maior parte da América Latina e do Caribe. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.