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16/Oct/2026

El Niño forte ameaça safra brasileira em 2026/2027

Segundo a StoneX, o quarto trimestre de 2026 deverá apresentar desafios climáticos relevantes para o agronegócio global, diante da combinação de um El Niño muito forte, da possível configuração positiva do Dipolo do Oceano Índico (IOD) e de temperaturas acima da média no Atlântico tropical. Os impactos sobre as lavouras dependerão não apenas dos volumes acumulados de chuva, mas também da distribuição das precipitações, da ocorrência de ondas de calor e do momento desses eventos em relação às etapas do ciclo produtivo de cada cultura. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (WMO), o El Niño já está estabelecido e apresenta probabilidade próxima de 100% de persistir até fevereiro de 2027. O fenômeno aumenta a possibilidade de extremos climáticos, incluindo calor intenso, episódios de chuva forte e períodos de seca. A interação com outros sistemas oceânicos e atmosféricos, especialmente o Dipolo do Oceano Índico e o aquecimento do Atlântico tropical, poderá modificar a distribuição das chuvas e das temperaturas nas principais regiões produtoras.

No Brasil, os principais pontos de atenção para soja e milho estão no Cerrado e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a combinação de temperaturas elevadas e precipitações abaixo do ideal em novembro e dezembro poderá aumentar o risco de estresse hídrico. A preocupação está na possibilidade de períodos prolongados de calor associados à deficiência de umidade no solo, sobretudo em fases nas quais as plantas apresentam maior demanda por água. A distribuição irregular das chuvas poderá ser mais determinante para o potencial produtivo do que o volume acumulado ao longo de todo o trimestre. Na Região Sul, as perspectivas de precipitações acima da média poderão favorecer o desenvolvimento inicial das lavouras de soja e milho, mas também elevar o risco de dificuldades operacionais. O excesso de umidade pode comprometer o avanço do plantio, dificultar o trânsito de máquinas e afetar a logística nas propriedades.

Paraguai e Uruguai apresentam perspectivas semelhantes, com possibilidade de benefícios iniciais para as culturas, acompanhados de maior risco de interrupções nas operações agrícolas. O café na Região Sudeste também exige acompanhamento. Embora não haja indicação clara de déficit de chuva para toda a região, as temperaturas elevadas previstas para novembro e dezembro poderão intensificar o estresse das plantas e afetar etapas importantes do ciclo produtivo. Para a cana-de-açúcar do Centro-Sul, o cenário é relativamente mais favorável, com expectativa de chuvas acima da média e temperaturas próximas ou ligeiramente superiores ao padrão histórico. Essas condições tendem a beneficiar o desenvolvimento da cultura, desde que não ocorram períodos prolongados de umidade excessiva. As condições observadas nos últimos meses reforçam a complexidade do cenário climático. Em julho e agosto, o Rio Grande do Sul, o Uruguai e a Argentina registraram volumes de chuva significativamente acima das médias históricas, enquanto áreas mais ao norte da América do Sul tiveram precipitações reduzidas.

Em setembro, houve mudança no padrão: São Paulo acumulou chuvas 273% acima da média nos primeiros 23 dias do mês, enquanto o Paraná registrou volumes 181% superiores ao normal. No mesmo período, o Uruguai apresentou uma das condições mais secas já observadas para a época. A inversão entre agosto e setembro tem poucos precedentes históricos e reforça a necessidade de monitoramento contínuo. Os riscos também se estendem a regiões produtoras de outros países que concorrem com o Brasil nos mercados agrícolas. No sul da África, as lavouras de milho poderão enfrentar calor e precipitações limitadas entre novembro e dezembro, com potencial comprometimento da produtividade. No mercado global de café, períodos mais secos podem favorecer a colheita na América Central, no México, na Colômbia e no Vietnã. Entretanto, a persistência de temperaturas elevadas combinadas à restrição hídrica poderá prejudicar o desenvolvimento das lavouras e as floradas futuras. Para o cacau, há riscos de condições mais quentes na Costa do Marfim e em Gana.

Na produção de óleo de palma, a Indonésia e a Malásia poderão enfrentar estresse climático. No trigo, as condições meteorológicas na Argentina, na Índia e na Austrália também merecem atenção, uma vez que temperaturas elevadas poderão influenciar o desenvolvimento das lavouras durante o trimestre. O cenário para o fim de 2026 deverá ser marcado por diferenças expressivas entre regiões e culturas, sem um padrão climático uniforme. Enquanto algumas áreas estarão sujeitas ao excesso de chuva e a dificuldades operacionais, outras poderão enfrentar calor persistente e restrição hídrica. Para o agronegócio, o acompanhamento mensal das precipitações, das temperaturas e da umidade do solo será decisivo para avaliar os impactos sobre o desenvolvimento das lavouras, o andamento das colheitas e as perspectivas de oferta das principais commodities agrícolas. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.