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16/Oct/2026

COP31: geopolítica enfraquece agenda climática global

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o multilateralismo climático está enfraquecido, diante da adoção de modelos próprios pelas principais potências e regiões econômicas, em um cenário de fragmentação geopolítica. A Europa, historicamente uma das principais sustentadoras do multilateralismo climático, perdeu parte de sua capacidade de articulação diante da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e da adoção de estratégias distintas por outras regiões. Na África, a agenda ambiental é vista por parte dos países como possível obstáculo ao crescimento econômico, enquanto a China desenvolveu um modelo próprio de atuação climática. Esse quadro amplia as dificuldades de coordenação internacional e de construção de compromissos comuns.

A questão ambiental também precisa ser analisada no contexto geopolítico mais amplo. As tentativas de avançar nas negociações climáticas nos últimos anos enfrentaram resistências de setores econômicos estratégicos, especialmente da indústria petrolífera, que se opõe a iniciativas capazes de restringir a exploração de petróleo. Essas divergências evidenciam os limites políticos e econômicos para a implementação de medidas ambientais mais restritivas. Nesse cenário, há uma agenda de transformação profunda dos sistemas de produção de alimentos, com implicações diretas para o agronegócio brasileiro. O Brasil tem procurado reagir às propostas que considera inadequadas, alertando para seus possíveis efeitos e defendendo alternativas para conciliar a agenda ambiental com as condições produtivas e econômicas do País.

A governança climática no período de 2026 a 2035 tende a apresentar características diferentes das observadas entre 2015 e 2025, sem perspectiva de retorno ao modelo anterior. A Europa já não demonstra interesse em reproduzir integralmente o regime ambiental do passado, enquanto os Estados Unidos vinculam a agenda ambiental à capacidade de gerar riqueza. Na África, a aceitação de medidas ambientais está condicionada, em parte, à contribuição dessas iniciativas para o aumento da produtividade e o fortalecimento da segurança alimentar. A divergência central envolve a interpretação da agenda ambiental como fonte de custos ou de oportunidades econômicas. A incorporação de critérios ambientais à economia ampliou sua importância nas relações políticas, comerciais e diplomáticas internacionais.

Para o agronegócio, essa mudança exige avaliar como as exigências de sustentabilidade se traduzem em custos de produção, investimentos, competitividade e oportunidades de mercado. A transição energética prevista no Plano Clima brasileiro ilustra essa dualidade. Enquanto determinadas atividades e segmentos da cadeia produtiva podem se beneficiar de novas oportunidades econômicas, produtores rurais podem enfrentar custos adicionais decorrentes das mudanças exigidas nos sistemas de produção. O desafio para o Brasil consiste em conciliar os objetivos ambientais com a viabilidade econômica da agropecuária e a segurança alimentar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.