ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

15/Oct/2026

Agro brasileiro: desafios para ampliar competitividade

O agronegócio brasileiro consolidou-se como um dos principais pilares da economia nacional, respondendo por quase metade das exportações do País em 2025, com vendas externas de US$ 169,2 bilhões. O setor registra avanços sucessivos na produção e amplia a participação do Brasil no mercado internacional. A manutenção dessa trajetória, entretanto, depende da superação de gargalos logísticos, do fortalecimento dos instrumentos de financiamento e gestão de riscos, da ampliação dos investimentos em pesquisa e da agregação de valor à produção agropecuária. Apesar da eficiência produtiva alcançada em grande parte das propriedades rurais, as deficiências de infraestrutura reduzem a competitividade do agronegócio no transporte da produção aos mercados internos e externos. A precariedade das estradas e dos portos eleva os custos logísticos, enquanto a insuficiência de capacidade de armazenagem obriga parte dos produtores a comercializar a safra em condições desfavoráveis.

Esses problemas persistem ao longo de diferentes governos, sem soluções compatíveis com a dimensão da produção nacional. Um exemplo é a Ferrogrão, projeto concebido há mais de uma década para conectar as regiões produtoras do Centro-Oeste aos portos do Norte, mas que ainda não foi implementado. A ferrovia tem potencial para reduzir os custos de transporte, diminuir a dependência do modal rodoviário e contribuir para a redução das emissões de poluentes. A atuação do poder público também é relevante para garantir condições adequadas de financiamento e instrumentos de gerenciamento de riscos em uma atividade sujeita às variações climáticas, às oscilações de produtividade entre safras e à concorrência internacional. Linhas de crédito compatíveis com as necessidades do setor e mecanismos eficientes de seguro rural são fundamentais para sustentar os investimentos e reduzir a exposição dos produtores às perdas.

Nesse contexto, o Brasil está entre os países que menos subsidiam seus produtores, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A diferença de apoio governamental em relação a países concorrentes pode criar condições desiguais de competição no mercado internacional. A trajetória do agronegócio brasileiro também evidencia os resultados dos investimentos públicos em ciência e tecnologia. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desempenhou papel central no desenvolvimento de tecnologias que permitiram transformar o Cerrado em uma das principais regiões produtoras agrícolas do mundo. A continuidade desse avanço, contudo, depende da disponibilidade de recursos para pesquisa e manutenção da estrutura científica. Para 2026, a Embrapa dispõe de R$ 371,5 milhões para essas atividades, ante R$ 500 milhões considerados necessários.

A insuficiência orçamentária pode comprometer a capacidade de desenvolvimento tecnológico e a geração de soluções para elevar a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade dos sistemas de produção. A competitividade do agronegócio também está associada à adoção de práticas ambientais adequadas e ao cumprimento das exigências dos mercados compradores. O avanço sobre a vegetação nativa por meio de desmatamento ilegal gera impactos ambientais e amplia a exposição dos produtos brasileiros a questionamentos internacionais, podendo favorecer iniciativas de concorrentes estrangeiros voltadas à imposição de barreiras comerciais. A aplicação rigorosa da legislação e a responsabilização dos infratores são, portanto, importantes para preservar a credibilidade do setor. O mesmo princípio se aplica ao combate ao trabalho em condições análogas à escravidão, cuja ocorrência representa uma violação de direitos e um risco adicional à reputação das cadeias produtivas brasileiras.

Além de ampliar a produção, o País precisa elevar o valor agregado dos produtos agropecuários, fortalecendo a integração entre o campo e a indústria. O processamento de alimentos, o desenvolvimento de bioinsumos e a expansão dos biocombustíveis representam oportunidades para diversificar a pauta exportadora, ampliar a industrialização e capturar uma parcela maior do valor gerado pelas cadeias do agronegócio. O Brasil já ocupa posição relevante no segmento de biocombustíveis, mas ainda dispõe de espaço para ampliar sua participação em mercados de produtos processados e soluções tecnológicas voltadas à produção agropecuária. A capacidade de articulação política do setor, representada por uma das bancadas mais influentes do Congresso Nacional, constitui outro instrumento para promover avanços estruturais.

Essa força pode contribuir para a formulação de políticas públicas de longo prazo, o fortalecimento da pesquisa agropecuária e a solução dos problemas de infraestrutura que restringem a eficiência logística. Medidas voltadas apenas à flexibilização das regras ambientais podem produzir ganhos políticos imediatos, mas não substituem investimentos e políticas capazes de ampliar o acesso a mercados e assegurar competitividade duradoura. O fortalecimento do agronegócio brasileiro depende, assim, da combinação entre eficiência produtiva, infraestrutura adequada, financiamento, seguro rural, inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e industrialização. A capacidade de atender às exigências dos consumidores e dos mercados internacionais, sem comprometer os recursos naturais e as condições de trabalho, será determinante para sustentar a expansão das exportações e consolidar a posição do Brasil entre os principais fornecedores mundiais de produtos agropecuários. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.