14/Oct/2026
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e suas 16 representações estaduais encaminharam, em 9 de outubro, uma carta aos candidatos à Presidência da República com propostas para enfrentar o endividamento rural e ampliar a proteção financeira dos produtores. Apesar da safra recorde brasileira de soja, estimada em 180,4 milhões de toneladas em 2025/26, a entidade aponta que os custos elevados de produção e as quebras de safra têm pressionado a situação financeira no campo. Segundo dados do Banco Central citados pela associação, a inadimplência no crédito rural alcançou 9,7% em agosto, enquanto a carteira de crédito problemático chegou a R$ 205 bilhões. Entre as principais propostas está a criação de uma solução estrutural para o endividamento rural, acompanhada de mecanismos de securitização, maior previsibilidade orçamentária para o seguro agrícola e implantação de um Fundo Garantidor de Risco de Crédito Rural.
As medidas buscam ampliar os instrumentos de renegociação e financiamento, fortalecer a gestão de riscos e melhorar as condições de acesso ao crédito em um cenário de maior comprometimento financeiro dos produtores. Na área tributária, a Aprosoja defende o diferimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nas operações em que o produtor rural vende sua produção ao comprador. A entidade também propõe medidas para combater a concentração de mercado no fornecimento de insumos e ampliar o acesso dos agricultores aos canais de comercialização, com o objetivo de melhorar as condições de concorrência tanto na aquisição de produtos e serviços quanto na venda da produção. A carta inclui ainda reivindicações relacionadas à infraestrutura logística e à capacidade de armazenagem.
Entre as iniciativas mencionadas estão investimentos em projetos ferroviários como a Ferrogrão e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), considerados pela entidade relevantes para o escoamento da produção agrícola. A ampliação da infraestrutura é apontada como uma frente para reduzir gargalos logísticos e melhorar a competitividade dos produtos brasileiros. No comércio exterior, a associação solicita medidas contra barreiras comerciais estrangeiras baseadas em critérios de sustentabilidade que considera subjetivos. A pauta inclui também a defesa de isonomia tributária para os biocombustíveis em relação aos veículos elétricos importados. O conjunto de propostas reúne instrumentos financeiros, tributários, logísticos e comerciais, refletindo a preocupação da entidade com a sustentabilidade econômica da atividade rural diante do aumento do endividamento e dos riscos de produção e mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.