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14/Oct/2026

Perspectivas para produtos agropecuários brasileiros

Segundo a XP, a renovação da cota de carne bovina destinada à China, prevista para janeiro de 2027, e a isenção tarifária concedida pelos Estados Unidos tendem a acelerar os abates no Brasil e manter os embarques aquecidos. No mercado doméstico, a perspectiva é de intensificação da migração do consumo para carne de frango e suína nos próximos meses, diante dos preços elevados da proteína bovina. A oferta restrita de bovinos tem sustentado as cotações da carne bovina. Apesar disso, os cortes nobres e destinados à exportação registram menor ritmo de vendas no mercado interno, enquanto os cortes de menor valor agregado apresentam maior resiliência de preços. Os indicadores de frango e suíno vivos permanecem em patamares elevados, em um cenário de migração do consumidor para proteínas de menor custo.

No mercado de grãos, o relatório mensal de oferta e demanda (Wasde), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), elevou as estimativas de produtividade e produção de soja e milho norte-americanos. A revisão ampliou as projeções de estoques iniciais e finais de milho nos Estados Unidos, reduzindo as incertezas sobre o fluxo global de comércio no curto prazo. Para a safra brasileira de milho, a projeção é de redução da produção no ciclo atual. Entre os fatores acompanhados pelo mercado estão a demanda chinesa por importações, a disponibilidade de grãos na região do Mar Negro e as condições climáticas na América do Sul. No complexo da soja, a recomposição dos estoques finais norte-americanos depende de um ritmo mais forte de exportações, enquanto os estoques globais de óleo de palma continuam baixos, mantendo atenção sobre a disponibilidade de óleos vegetais.

No complexo sucroenergético, as cotações internacionais do açúcar encontram sustentação nas condições climáticas da Índia e da Tailândia associadas ao El Niño, além das precipitações no Centro-Sul do Brasil. Entretanto, o posicionamento comprado dos fundos de investimento limita o espaço para novas altas no curto prazo, ao reduzir a margem para ampliação adicional das posições compradas. No mercado de etanol, a prorrogação da desoneração tributária pelo governo brasileiro e o aumento do valor da subvenção ao biocombustível têm preservado a competitividade do produto em relação à gasolina no mercado doméstico. Ao mesmo tempo, o excesso de umidade no Centro-Sul dificulta a cristalização do açúcar pelas usinas, favorecendo a destinação de uma parcela maior da matéria-prima à produção de etanol. Esse movimento pode alterar o mix de produção do setor, conforme as condições climáticas e a evolução da rentabilidade relativa dos dois produtos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.