14/Oct/2026
O Natural Investment Lab (NIL) está desenvolvendo um modelo padronizado de contrato de financiamento para facilitar o acesso de projetos de reflorestamento e de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) a recursos financeiros. A modelagem contratual é apontada como um dos principais entraves à captação de investimentos por esses projetos. A minuta foi apresentada durante a Semana do Clima, realizada recentemente em Nova York, após consultas a 25 instituições, entre elas Itaú BBA, Regia Capital, Systemica, Petrobras e Regreen. A próxima etapa prevê a submissão do documento a uma audiência pública. A iniciativa também deverá ganhar destaque durante a COP31, prevista para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, na Turquia. A meta do NIL é concluir o trabalho até o fim de 2026. A padronização busca contribuir para o amadurecimento de um mercado de carbono que acumula mais de 20 anos de desenvolvimento e que poderá ampliar a negociação internacional dos créditos, aproximando-os de uma dinâmica de commodity.
O modelo pretende preparar os desenvolvedores de projetos de geração de créditos de carbono para atender às exigências contratuais e financeiras necessárias à obtenção de recursos. A referência também poderá ser utilizada por outros participantes do mercado, incluindo compradores e financiadores, ao estabelecer parâmetros comuns para a estruturação das operações. A iniciativa busca reduzir dificuldades de negociação e aumentar a previsibilidade jurídica das transações, contribuindo para aproximar os projetos de potenciais fontes de capital. A proposta contempla desenvolvedores de diferentes portes, desde empresas já estabelecidas, como Re.green e Mombak, até organizações em fase inicial de estruturação. Segundo a avaliação do NIL, projetos bem elaborados de geração de créditos de carbono apresentam demanda relevante. Entre os principais compradores de créditos brasileiros estão grandes empresas de tecnologia, com destaque para a Microsoft, o que reforça a importância de estruturas comerciais capazes de viabilizar contratos de longo prazo.
A minuta apresentada em Nova York é voltada a contratos do tipo offtake, nos quais comprador e vendedor estabelecem previamente condições de aquisição de uma mercadoria antes do início de sua produção. No mercado de carbono, esse formato pode oferecer maior previsibilidade comercial aos desenvolvedores e estabelecer compromissos de compra para os adquirentes. O documento reúne cláusulas sobre estrutura comercial, preços, pagamentos, financiamento, garantias, recebíveis, participação de financiadores, ciclo de vida dos créditos, entrega, titularidade e situações de falha no cumprimento das obrigações. A padronização contratual integra uma estratégia mais ampla para ampliar o financiamento da economia de Soluções Baseadas na Natureza (SbN). O NIL foi criado a partir de uma iniciativa que reúne Banco do Brasil, Instituto Itaúsa, Instituto Clima e Sociedade (iCS) e a organização internacional Gfanz.
O laboratório atua na atração e estruturação de financiamentos e na promoção de inovação financeira para apoiar atividades econômicas baseadas na natureza. A conclusão do modelo até o fim de 2026 poderá estabelecer uma referência para as negociações entre desenvolvedores, compradores e financiadores, reduzindo a necessidade de estruturar individualmente todos os componentes contratuais de cada operação. A efetividade da iniciativa dependerá da contribuição recebida na consulta pública e da adoção do documento pelos agentes do mercado. Caso avance, a padronização poderá fortalecer as condições de financiamento de projetos de restauração florestal e geração de créditos de carbono, ampliando as possibilidades de mobilização de capital para iniciativas de redução de emissões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.