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13/Oct/2026

Crédito Rural: fontes livres respondem por 61% do total

As fontes não controladas, cujas taxas de juros e regras de aplicação não são definidas pelo governo, responderam por 61% do crédito rural destinado à agricultura empresarial nos três primeiros meses da safra 2026/27. Entre julho e setembro de 2026, foram movimentados R$ 107,1 bilhões, dos quais R$ 65,5 bilhões tiveram origem nessas fontes. A Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento classificado nessa categoria, somou R$ 50,3 bilhões, equivalentes a 46,9% do total concedido no período. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e têm como base o Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, além das informações das registradoras de CPR B3, CERC e CRDC. Os números são provisórios e não incluem o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A CPR permite ao produtor rural obter recursos antecipadamente, mediante o compromisso de entregar produtos agropecuários em uma data futura.

Já o custeio convencional, contratado por meio das linhas de crédito rural, totalizou R$ 36,4 bilhões, correspondentes a 34% das concessões. Somadas, CPR e operações de custeio alcançaram R$ 86,7 bilhões, ou 80,9% do crédito movimentado entre julho e setembro. A concentração reflete a sazonalidade do financiamento agrícola, uma vez que o trimestre coincide com a intensificação do plantio das culturas de verão e o consequente aumento da demanda por recursos para custear a produção. Na classificação do Mapa, as fontes controladas seguem regras governamentais para taxas de juros e destinação dos recursos, enquanto as não controladas têm condições negociadas no mercado. As fontes controladas totalizaram R$ 41,6 bilhões, equivalentes a 39% do crédito concedido. Do montante de R$ 65,5 bilhões proveniente das fontes não controladas, R$ 50,3 bilhões corresponderam à CPR. Excluído esse instrumento, as demais fontes não controladas somaram R$ 15,2 bilhões, dos quais R$ 12,2 bilhões tiveram origem na Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) livre.

Entre as fontes controladas, os Recursos Obrigatórios, parcela dos depósitos à vista que as instituições financeiras devem direcionar ao crédito rural, totalizaram R$ 13,5 bilhões, ou 32% das concessões dessa categoria. A LCA controlada respondeu por R$ 12,4 bilhões, equivalentes a 30%. Desconsiderada a CPR, as fontes controladas apresentaram maior participação no financiamento no início da safra, movimento associado à contratação de um volume mais elevado de operações com taxas de juros mais baixas. No custeio convencional, produtores que não participam do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) contrataram R$ 20 bilhões, o equivalente a 54,8% do total dessa modalidade. As operações destinadas aos beneficiários do Pronamp somaram R$ 16,5 bilhões, correspondentes a 45,2%. As linhas de investimento, voltadas à aquisição de máquinas e equipamentos e à implantação de sistemas de irrigação, movimentaram R$ 7,4 bilhões no trimestre.

Entre os programas, o Pronamp Investimento registrou R$ 1,02 bilhão em contratações, seguido pelo RenovAgro, com R$ 845 milhões, e pelo Moderfrota, com R$ 640 milhões. As operações destinadas à comercialização totalizaram R$ 8 bilhões, enquanto o crédito para industrialização alcançou R$ 5 bilhões. Nas linhas de crédito com juros equalizados, nas quais o Tesouro Nacional cobre parte da diferença entre a taxa paga pelo produtor e o custo de captação dos recursos no mercado, foram concedidos R$ 20,4 bilhões. O valor corresponde a aproximadamente 21% dos R$ 97,6 bilhões programados para a safra 2026/27, conforme a Portaria MF nº 2.922, de 25 de setembro de 2026. Do total de crédito equalizado, R$ 16,3 bilhões foram destinados ao custeio. O Banco do Brasil concentrou 43,7% dessas operações, seguido pelo Sicredi, com 15,8%, e pela Cresol, com 10,5%. Nas linhas equalizadas de investimento, que somaram R$ 3,75 bilhões, o BNDES respondeu por 39,4% dos recursos, enquanto o Banco do Brasil ficou com 33,9%. Juntas, as duas instituições concentraram aproximadamente 73% das concessões dessa modalidade.

Excluídas as operações de CPR, a região Sul liderou o volume de crédito rural, com R$ 18,6 bilhões, seguida pelo Sudeste, com R$ 17,8 bilhões, e pelo Centro-Oeste, com R$ 12,7 bilhões. O Nordeste registrou R$ 4,9 bilhões, enquanto o Norte totalizou R$ 2,8 bilhões. O Centro-Oeste apresentou o maior valor médio por contrato, de R$ 1,07 milhão, seguido pelo Nordeste, com R$ 960 mil. Apesar de concentrar o maior número de contratos, a região Sul registrou o menor valor médio, de R$ 515,1 mil. Dentro do Centro-Oeste, Mato Grosso respondeu por 40% do crédito regional, Goiás por 37% e Mato Grosso do Sul por 23%. O boletim do Mapa não apresenta comparação com o ciclo anterior em razão das restrições relacionadas ao período eleitoral. O documento ressalta que, por se tratar dos primeiros meses da safra, os valores concedidos e os percentuais de execução em relação à programação orçamentária ainda são reduzidos e não devem ser considerados indicativos do resultado do ciclo completo. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.