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13/Oct/2026

El Niño atinge intensidade recorde em setembro

O fenômeno El Niño atingiu em setembro de 2026 a maior intensidade desde o início da série histórica, em 1949, segundo o Centro de Clima de Tóquio (TCC), vinculado à Agência Meteorológica do Japão (JMA). Na região Niño-3, utilizada como referência para o monitoramento climático, a temperatura da superfície do mar apresentou anomalia de 4,0°C acima da média climatológica, superando o recorde anterior de 3,6°C, registrado em dezembro de 1997. O TCC estima em 100% a probabilidade de persistência das condições extremas, com o pico do evento previsto para o inverno do Hemisfério Norte, correspondente ao verão no Hemisfério Sul. O aquecimento recorde resulta da interação entre o oceano e a atmosfera no Pacífico Equatorial. Águas profundas com temperaturas excepcionalmente elevadas continuam contribuindo para o aumento da temperatura da superfície do mar. Esse processo é reforçado pelo enfraquecimento dos ventos alísios, pela intensificação das tempestades na região central do oceano e pela fase positiva do Dipolo do Oceano Índico, cujo índice atingiu +0,69.

A combinação desses fatores favorece a manutenção das temperaturas elevadas e prolonga as condições associadas ao episódio extremo. Os padrões climáticos observados em setembro são compatíveis com os episódios mais intensos da série histórica e indicam possíveis repercussões sobre a produção agrícola mundial. Foram registradas temperaturas acima da média no leste do Brasil, no norte da América do Sul, na faixa que se estende do sul das Filipinas à ilha de Java e no leste e sudoeste da Austrália. Em relação às precipitações, houve volumes inferiores ao normal no norte da América do Sul, no Sudeste Asiático e no norte da Austrália. Em contrapartida, o sul da Argentina e áreas próximas apresentaram chuvas acima das médias históricas. Para a agricultura brasileira, a intensidade do fenômeno amplia a necessidade de monitoramento das condições de temperatura e precipitação, especialmente diante dos possíveis efeitos sobre a disponibilidade hídrica, o estabelecimento das lavouras e o desenvolvimento das culturas.

Entretanto, os impactos dependem da distribuição regional das chuvas, da duração das anomalias e do calendário agrícola de cada região. A ocorrência de temperaturas elevadas e precipitações irregulares pode aumentar os riscos produtivos em áreas suscetíveis à deficiência hídrica, enquanto volumes excessivos de chuva podem dificultar operações de campo e elevar os riscos fitossanitários em outras regiões. Nos Estados Unidos, o Centro de Previsão Climática (CPC), vinculado ao Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) e à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), estimou, em boletim divulgado em 8 de outubro, probabilidade de 83% de permanência do El Niño nas categorias forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027. As projeções reforçam a perspectiva de continuidade do fenômeno durante o verão no Hemisfério Sul, mantendo o clima como uma variável central para o acompanhamento das safras agrícolas e dos mercados de commodities nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.