ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

13/Oct/2026

Chuvas irregulares elevam riscos à safra 2026/27

As chuvas registradas nos últimos dez dias melhoraram as condições para o plantio de soja e milho safra de verão (1ª safra 2026/2027) na Região Centro-Oeste, mas a recuperação da umidade do solo permanece desigual, especialmente em Mato Grosso. Segundo análise da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite, as precipitações acima da média histórica favoreceram a semeadura em Goiás e Mato Grosso do Sul, enquanto parte da água acumulada em Mato Grosso ainda é absorvida para recompor o déficit hídrico registrado no perfil do solo. No Centro-Oeste, as chuvas recentes se concentraram principalmente em áreas de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, com volumes superiores à média histórica em grande parte da região. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a umidade do solo avançou para níveis próximos ou superiores ao normal, e a continuidade das precipitações ao longo de outubro tende a sustentar condições favoráveis ao avanço do plantio.

Em Mato Grosso, apesar das chuvas acima da média no início do mês, a recomposição hídrica ainda ocorre de forma irregular, mantendo o Estado como principal ponto de atenção para o estabelecimento das lavouras. As projeções meteorológicas indicam diferenças relevantes entre os modelos utilizados para avaliar as condições de campo. Para o período de 7 a 14 de outubro, o modelo europeu ECMWF aponta pouca melhora da umidade do solo em Mato Grosso. Para os dez dias seguintes, o modelo norte-americano GFS prevê chuvas mais intensas em Mato Grosso do Sul e em áreas de Mato Grosso e Goiás, enquanto o ECMWF indica volumes próximos ou abaixo da média em parte da região. O GFS também projeta temperaturas mais elevadas, condição que pode acelerar a perda de umidade do solo e reduzir a duração dos benefícios das precipitações. No Matopiba, região que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as chuvas foram menores e mais irregulares.

Embora algumas localidades tenham registrado volumes acima da média histórica, as precipitações ainda são insuficientes para promover uma recuperação generalizada da umidade do solo. Os modelos GFS e ECMWF indicam predominância de chuvas abaixo da média, cenário que mantém condições menos favoráveis ao início da safra 2026/2027 e aumenta a importância da regularidade das precipitações para a evolução do plantio. Na Região Sul, os acumulados de chuva dos últimos 30 dias estão entre os maiores dos últimos anos e se aproximam dos registrados em períodos de El Niño com precipitações mais intensas, como 2015 e 2023. Os volumes elevados, especialmente no Paraná e em partes do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, mantêm a umidade do solo elevada. Embora essa condição seja favorável à disponibilidade hídrica para a soja e o milho safra de verão (1ª safra 2026/2027), o excesso de água aumenta os riscos operacionais para as lavouras de trigo em maturação e colheita. A persistência das chuvas na Região Sul pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras, reduzir as janelas disponíveis para as operações agrícolas e comprometer a qualidade dos grãos de trigo.

Para a soja e o milho safra de verão (1ª safra 2026/2027), a disponibilidade hídrica favorece o estabelecimento inicial das culturas, mas novos episódios de precipitação intensa podem atrasar a semeadura e prejudicar o planejamento das atividades no campo. As temperaturas próximas ou ligeiramente abaixo da média previstas para a região tendem a reduzir a demanda evaporativa e preservar a umidade do solo, prolongando tanto os benefícios hídricos quanto os efeitos do excesso de água. Em São Paulo, a recuperação da umidade do solo favorece o estabelecimento inicial das lavouras de verão. Na região canavieira, entretanto, as chuvas já provocaram interrupções pontuais na colheita. Foram registrados volumes superiores a 8 milímetros por dia, patamar utilizado como referência para paralisações das operações. A partir de 11 de outubro, os modelos ECMWF e GFS indicam intensificação das precipitações, com volumes entre 20 e 30 milímetros por dia e vários dias próximos ou acima desse intervalo. Caso as projeções se confirmem, a redução dos períodos disponíveis para a colheita poderá comprometer o ritmo de moagem da cana-de-açúcar.

A umidade elevada do solo também poderá prolongar os efeitos das chuvas sobre as operações, inclusive no dia seguinte aos eventos mais intensos, dificultando a retomada dos trabalhos no campo e o transporte da matéria-prima. O cenário climático para o início da safra 2026/2027 apresenta, portanto, diferenças regionais importantes. No Centro-Oeste, a continuidade das chuvas será determinante para consolidar a recuperação hídrica e permitir o avanço do plantio, especialmente em Mato Grosso. No Matopiba, a irregularidade das precipitações mantém o risco de atraso na semeadura, enquanto, no Sul, o excesso de água ameaça a colheita do trigo e pode restringir as operações com culturas de verão. Em São Paulo, a evolução das chuvas será decisiva para o ritmo de colheita e moagem da cana-de-açúcar. A distribuição das precipitações e o comportamento das temperaturas nas próximas semanas serão fatores centrais para definir as condições de implantação das lavouras e o andamento das operações agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.