13/Oct/2026
A inflação dos alimentos voltou a acelerar em setembro, influenciada por condições climáticas adversas e pela redução da oferta de produtos agrícolas no mercado brasileiro. O grupo Alimentação e Bebidas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,83% no mês, após acumular deflação de 1,25% entre junho e agosto, em três meses consecutivos de queda. O clima mais frio e as chuvas intensas no Centro-Sul do Brasil prejudicaram a produção agrícola e a disponibilidade de determinados alimentos, contribuindo para a elevação dos preços. Entretanto, ainda não é possível atribuir diretamente esses efeitos à ocorrência do fenômeno El Niño, embora as condições climáticas tenham influenciado o comportamento dos mercados agrícolas.
Entre os principais aumentos de preços em setembro, o tomate liderou, com alta de 37%, seguido pela batata-inglesa, com avanço de 24,07%, pela cebola, com elevação de 10,14%, pelo arroz, com aumento de 4,56%, e pelas carnes, com alta de 0,63%. No segmento de hortaliças, as temperaturas mais baixas retardaram o amadurecimento do tomate, restringindo a disponibilidade do produto e pressionando as cotações. As chuvas intensas também prejudicaram a colheita de batata-inglesa e cebola, especialmente nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, reduzindo a oferta e contribuindo para a elevação dos preços no varejo. No mercado de arroz, a menor disponibilidade esteve associada à retenção de estoques pelos produtores, que restringiram a oferta na expectativa de obter preços mais elevados. Esse comportamento comercial, combinado às condições de abastecimento, contribuiu para a alta de 4,56% do produto no período.
O movimento de setembro evidencia a influência das condições climáticas sobre a oferta de alimentos e a dinâmica dos preços ao consumidor. A continuidade das chuvas e das temperaturas mais baixas poderá manter a pressão sobre determinados produtos agrícolas, enquanto a evolução dos preços dependerá da recuperação das condições de produção, do ritmo das colheitas e da disponibilidade de mercadorias no mercado interno. O Bradesco avalia que os alimentos devem manter a pressão de alta nas próximas leituras do IPCA, enquanto a inflação de serviços deve permanecer próxima dos níveis atuais. A alta da alimentação no domicílio decorre dos efeitos do El Niño. Essas pressões devem persistir nos últimos meses do ano, com contribuição adicional do aumento das exportações de carnes. Em 12 meses, a alta passou de 2,8% em agosto para 4,2% em setembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.