09/Oct/2026
O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (08/10) em leve alta, a R$ 5,02, após oscilar próximo da estabilidade durante a maior parte da sessão e ganhar força na última hora de negócios. O movimento ocorreu na contramão da trajetória de queda da moeda norte-americana no exterior e do recuo das taxas dos Treasuries. Entre as principais moedas de países emergentes pares do Real, apenas o peso mexicano apresentou depreciação, superior a 1%. A moeda norte-americana atingiu máxima de R$ 5,02 e avançou 0,26%, permanecendo acima de R$ 5,00 pelo segundo pregão consecutivo. Apesar da alta da sessão, o dólar acumula queda de 3,69% na semana, resultado principalmente do recuo de 4,21% registrado na segunda-feira (05/10), no auge da reação positiva do mercado ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial. No acumulado do ano, a desvalorização permanece superior a 8%. O movimento atual é caracterizado por acomodação após o forte rali de valorização do Real provocado pela redução dos prêmios de risco associada à corrida presidencial.
A perspectiva de vitória da oposição é considerada pelo mercado como um fator potencialmente relevante para uma mudança na condução da política fiscal a partir de 2027. O comportamento do dólar também pode ter refletido um ajuste de posições. A entrada potencial de recursos para a bolsa e o mercado de renda fixa, associada ao megaleilão de títulos prefixados realizado pelo Tesouro Nacional, não resultou em apreciação adicional do real. Ao mesmo tempo, o nível próximo de R$ 5,00 tem estimulado importadores a antecipar a liquidação de dívidas e o pagamento de fornecedores, contribuindo para equilibrar os fluxos no mercado de câmbio. O UBS considera o cenário atual favorável à formação de posições compradas em Real contra o dólar, com objetivo de R$ 4,75 e nível de stop loss em R$ 5,11. A avaliação considera que o aumento das chances de um resultado eleitoral associado a políticas pró-mercado pode favorecer uma reprecificação dos ativos brasileiros.
O Real também permanece beneficiado pelo carry, associado ao diferencial de juros, e pela melhora dos termos de troca decorrente da valorização dos preços de energia. Entre os principais riscos para uma posição favorável ao Real estão um resultado eleitoral considerado desfavorável pelo mercado, uma deterioração do apetite global por risco e uma elevação adicional das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos. No exterior, o petróleo voltou a subir, com o contrato do Brent para novembro avançando 4,07%, para US$ 104,28 por barril, em meio à continuidade dos ataques no Oriente Médio. Mesmo com a alta da commodity, as taxas dos Treasuries de longo prazo recuaram após um leilão bem-sucedido de títulos de 30 anos do governo norte-americano. O índice DXY, referência para o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas, recuava 0,15%, aos 102,082 pontos. Apesar da queda na sessão, o Dollar Index acumula alta superior a 0,60% no início de outubro e avanço superior a 3,80% no ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.