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09/Oct/2026

Clima: El Niño deve seguir forte até início de 2027

O El Niño deve permanecer entre forte e muito forte até o início de 2027, com 70% de probabilidade de retorno às condições de neutralidade no trimestre de maio a julho. A atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgada nesta quinta-feira (08/10), indica probabilidade de 100% de persistência do fenômeno até o trimestre de janeiro a março de 2027. Para o período de abril a junho, a probabilidade de condições neutras recuou de 56% no boletim de setembro para 48% em outubro. Com isso, o El Niño permanece como o cenário mais provável também nesse período, embora a possibilidade de transição para a neutralidade ganhe relevância no segundo trimestre de 2027. A velocidade de aquecimento das águas do Pacífico é um dos principais pontos de atenção. O Índice Oceânico do Niño (ONI), indicador que acompanha as anomalias da temperatura da superfície do Pacífico em trimestres móveis, passou de cerca de -0,9°C entre dezembro e fevereiro, quando estava configurado um episódio de La Niña fraca, para aproximadamente +1,7°C no cenário atual.

A evolução das temperaturas apresenta características comparáveis às observadas durante o episódio de 1997/98, também marcado por forte aquecimento do Pacífico, embora a intensidade máxima do evento atual ainda não esteja definida. Nas águas próximas ao Equador e ao Peru, as temperaturas estão entre 3 e 4 graus Celsius acima da média. O enfraquecimento dos ventos alísios dificulta a renovação das águas superficiais e favorece a manutenção do calor, com esse comportamento dos ventos se intensificando desde março. O aquecimento também é observado abaixo da superfície do oceano. Em áreas entre 50 e 150 metros de profundidade, os desvios de temperatura superam 6°C. O calor armazenado na subsuperfície representa uma reserva de energia que contribui para sustentar o fenômeno por pelo menos mais seis ou sete meses, considerando que o processo de retorno ao equilíbrio oceânico ocorre de forma gradual. O relatório de perspectivas da StoneX para o quarto trimestre projeta o pico do episódio entre outubro e dezembro e considera possível que o atual El Niño se torne o mais intenso desde o início dos registros, em 1950.

Eventuais perdas de produção agrícola em diferentes regiões do mundo podem elevar a pressão sobre a inflação de alimentos, caso condições climáticas adversas reduzam a oferta de commodities. A intensidade do El Niño, contudo, não determina isoladamente seus efeitos sobre cada região produtora. A resposta climática depende também da época do ano, das condições dos oceanos Atlântico e Índico e da distribuição das precipitações. Para a agricultura, os impactos são condicionados ainda pela duração dos períodos de calor e de falta ou excesso de água, além da fase de desenvolvimento em que se encontram as lavouras. O cenário mantém o clima como fator relevante para as perspectivas de oferta agrícola no Brasil e no mercado internacional até 2027, com maior atenção às regiões produtoras expostas a alterações no regime de chuvas e às culturas em fases críticas de estabelecimento, desenvolvimento e formação de produtividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.