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08/Oct/2026

Dólar sobe com exterior negativo e ajuste eleitoral

Após dois pregões consecutivos de queda, com desvalorização acumulada de 4,62%, o dólar voltou a subir frente ao Real e encerrou esta quarta-feira (07/10) acima de R$ 5,00. A valorização global da moeda norte-americana e os níveis elevados dos juros dos Treasuries pressionaram as divisas emergentes, em movimento associado também à realização de lucros após o forte rali observado no mercado doméstico com as eleições. O dólar oscilou próximo de R$ 5,00 e atingiu a máxima de R$ 5,01 na reta final dos negócios. Não houve aceleração correspondente da moeda norte-americana no exterior, e o mercado não identificou um gatilho específico para o movimento doméstico. Entre os fatores considerados esteve o possível desconforto com a sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que o projeto que prevê o fim da escala 6x1 poderá ser apreciado antes do segundo turno das eleições. A proposta integra as principais bandeiras de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao final da sessão, o dólar registrou alta de 0,72%, a R$ 5,01. Com a reversão no fim do pregão, o Real apresentou o pior desempenho entre as principais moedas latino-americanas. Na semana, contudo, a taxa de câmbio ainda acumula queda de 3,94%, enquanto, no acumulado de 2026, a desvalorização do dólar frente ao Real chega a 8,70%. O movimento ocorre após o câmbio já ter incorporado parte relevante do efeito do ingresso de recursos estrangeiros e da redução do prêmio de risco associados ao chamado trade eleitoral. A sinalização de apoio de outros candidatos à candidatura considerada pelo mercado mais favorável à realização de um ajuste fiscal tende a limitar a intensidade da alta do dólar frente ao Real. Após o rali registrado no primeiro turno, a direção dos preços dos ativos tende a depender dos sinais apresentados pelas pesquisas eleitorais, das declarações dos candidatos sobre a composição de cargos estratégicos do futuro gabinete e de uma definição mais precisa para a estratégia fiscal.

Esse conjunto de fatores passa a ganhar maior peso na determinação do prêmio de risco e, consequentemente, da trajetória do câmbio. No exterior, o índice DXY, referência do comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,46%, após atingir máxima de 102,499. A taxa da T-note de 10 anos estava em torno de 5,28%, em leve queda, depois de alcançar 5,36%, maior nível em 24 anos. Os preços do petróleo, que chegaram a avançar com maior intensidade, perderam força, mas o contrato do Brent para dezembro permanecia acima de US$ 100,00 por barril. A ata da reunião do Federal Reserve de setembro reforçou que a inflação continua no centro das atenções da autoridade monetária norte-americana. Na reunião, a taxa básica de juros dos Estados Unidos foi elevada para a faixa entre 3,75% e 4%. A maioria dos dirigentes do Fed considera apropriado realizar um novo aumento do juro básico até o fim do ano, mantendo o ambiente de juros elevados nas economias avançadas.

Para o Brasil, o cenário externo permanece ambíguo. O aperto monetário nos Estados Unidos e a manutenção de juros mais altos nas economias desenvolvidas reduzem a atratividade relativa dos ativos de mercados emergentes. Em contrapartida, os preços de commodities relevantes para o país, especialmente petróleo e grãos, permanecem elevados, contribuindo para termos de troca mais favoráveis e oferecendo suporte à moeda brasileira. A alta dos juros dos títulos soberanos norte-americanos de longo prazo constitui um dos principais riscos para o real, ao reduzir a atratividade relativa dos ativos financeiros brasileiros e de outras economias emergentes. Nesse cenário, a projeção para a taxa de câmbio permanece em R$ 5,00 no fim de 2026 e em R$ 5,30 no encerramento de 2027. Caso a perspectiva de um ajuste fiscal mais profundo ganhe força após as eleições, a valorização recente do Real poderá se sustentar e abrir espaço para uma taxa de câmbio ainda mais valorizada, principalmente ao longo de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.