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08/Oct/2026

Captação externa é alternativa a juros elevados

As receitas em dólar geradas pelas exportações do agronegócio podem respaldar instrumentos de captação externa de recursos e oferecer uma alternativa às taxas de juros elevadas no mercado doméstico brasileiro. A utilização desses fluxos em moeda estrangeira pode criar uma proteção natural para o setor e ampliar as fontes de financiamento disponíveis aos produtores e às empresas da cadeia agroindustrial. O saldo comercial da cadeia do agronegócio, calculado pela diferença entre exportações e importações de insumos, máquinas e produtos, superou US$ 100 bilhões anuais nos últimos três anos e acumulou mais de US$ 1,5 trilhão neste século. A geração recorrente de receitas em dólar cria uma base potencial para instrumentos de captação externa lastreados nesses fluxos, reduzindo a dependência das condições de crédito do mercado doméstico, especialmente em períodos de taxas de juros elevadas.

A atual crise de endividamento do setor tem origem no período pós-pandemia, quando a redução das taxas de juros impulsionou a valorização de ativos reais, como terras e propriedades rurais, e atraiu novos credores sem experiência anterior na concessão de crédito ao agronegócio. A disputa por clientes e a expansão das fontes de financiamento não bancário, principalmente por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), contribuíram para ampliar a alavancagem dos produtores antes do ciclo de alta da taxa Selic. A mudança nas regras para recuperação judicial (RJ) de pessoas físicas, a partir de 2021, também alterou a percepção de risco das instituições financeiras. O número de pedidos de recuperação judicial teria aumentado de 200 casos em 2022 para 2.000 no último ano. A maior exposição ao risco levou o sistema financeiro a revisar critérios de concessão e a ampliar a exigência de garantias consideradas de menor risco, como a alienação fiduciária.

Nesse contexto, a estrutura de financiamento do agronegócio passa a exigir maior diversificação entre crédito bancário, mercado de capitais e captação externa. As receitas de exportação em dólar podem funcionar como mecanismo de proteção cambial e, ao mesmo tempo, oferecer base para instrumentos financeiros capazes de aproveitar a geração de divisas do próprio setor. Essa alternativa ganha relevância diante do elevado custo do dinheiro no mercado doméstico e da necessidade de preservar a liquidez dos produtores. No âmbito das políticas públicas, uma alternativa é o fortalecimento do seguro rural com recursos fiscais, em modelo semelhante ao adotado pelos Estados Unidos, em substituição ao subsídio direto ao custeio das safras.

O objetivo seria transferir parte do suporte público do financiamento do custeio para a proteção contra riscos de produção e renda, reduzindo a necessidade de utilização de recursos orçamentários para subsidiar diretamente o crédito de curto prazo. Nesse desenho, o crédito rural direcionado e equalizado pelo governo poderia concentrar-se em investimentos de longo prazo, como armazenagem, aquisição de máquinas e ativos biológicos. A combinação entre seguro rural fortalecido, crédito público direcionado a investimentos estruturantes e maior utilização das receitas externas do agronegócio poderia ampliar a capacidade de financiamento da cadeia e reduzir a exposição do setor às condições do mercado doméstico de juros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.